De acordo com dados consolidados do Detran/Infosiga, Santos registrou menos mortes em acidentes envolvendo carros e motocicletas no comparativo entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período de 2025. As ocorrências fatais com automóveis caíram 33,3%, enquanto os óbitos em acidentes com motos tiveram redução de 28,6%.
Em contrapartida, os sinistros envolvendo ciclistas e pedestres apresentaram um crescimento expressivo e preocupante de 300% no mesmo período.
Os fatores mais associados às ocorrências continuam atrelados à imprudência: excesso de velocidade, uso do telefone celular ao volante, condução sob efeito de álcool ou drogas e o desrespeito à sinalização. O aumento das colisões cotidianas com motocicletas também é impulsionado pela expansão dos serviços de entrega por aplicativo, que expõe os entregadores a jornadas intensas e maiores riscos de vulnerabilidade viária.
Segundo Roberto de Faria, advogado e vice-presidente da Comissão de Direito de Trânsito da OAB Santos, o inchaço da frota flutuante e a integração regional agravam o cenário local.
“Quanto mais veículos circulando, maior é a exposição ao risco. Santos atrai diariamente uma grande quantidade de motoristas e entregadores que residem em municípios vizinhos, como São Vicente, Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém, devido à maior demanda comercial. Contudo, o crescimento da frota, isoladamente, não explica os acidentes. O principal fator continua sendo o comportamento humano”, esclarece o advogado.
Uma das preocupações mais urgentes apontadas pela Comissão de Direito de Trânsito da OAB Santos é a circulação desregulada de bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos autopropelidos pelas ciclovias, calçadas e vias expressas da cidade.
Muitos desses veículos possuem desempenho e velocidade semelhantes aos de ciclomotores convencionais, mas são frequentemente conduzidos por adolescentes e crianças sem qualquer formação técnica ou conhecimento das leis de trânsito.
“Infelizmente, é comum observar pais adquirindo esses equipamentos para menores de idade sem compreender os riscos envolvidos. Bicicletas e motos elétricas são capazes de atingir velocidades consideráveis. Nas mãos de pessoas inabilitadas e sem educação para o trânsito, transformam-se em verdadeiras armas, colocando em risco os próprios condutores, pedestres e ciclistas”, adverte o advogado.
Para reverter os índices de sinistros a longo prazo, o vice-presidente da comissão da OAB defende que a disciplina de Educação para o Trânsito seja obrigatoriamente incluída no currículo escolar das redes pública e privada, abrangendo do ensino fundamental ao médio.
“A educação para o trânsito não serve apenas para formar futuros motoristas conscientes. Ela forma, no presente, melhores pedestres, ciclistas e cidadãos que entendem o espaço público. Se quisermos um trânsito verdadeiramente seguro e humano nas próximas décadas, precisamos começar obrigatoriamente pela sala de aula”, conclui Roberto de Faria.
Fonte: https://santaportal.com.br/