As quadrilhas podem utilizar listas com nomes e dados das vítimas, junto a roteiros para iniciar conversas, para facilitar a prática de estelionatos. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo Golpistas têm utilizado várias estratégias para enganarem suas vítimas e obterem vantagens financeiras. As fraudes abrangem desde o envio de links para roubo de dados bancários até o uso de Inteligência Artificial (IA) para reproduzir imagens e vozes de familiares em situações de emergência.

Medo, urgência, curiosidade e a expectativa de conseguir uma vantagem são alguns dos fatores que os criminosos exploram para induzir as vítimas a agir rapidamente, sem conferir a veracidade do que está acontecendo.

Grupos criminosos frequentemente utilizam listas com dados das vítimas e roteiros sobre como iniciar conversas e responder às questões que surgem em suas interações.

O delegado Paulo Barbosa, da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) da Polícia Civil de São Paulo, revela que sentimentos humanos são facilmente manipulados por golpistas. “Com o crescimento da IA, aplicar golpes através da engenharia social está mais fácil. Esses criminosos criam uma atmosfera falsa e exploram emoções como medo, vantagem e perigo, levando a pessoa a agir sem pensar”, explica o delegado.

De acordo com Barbosa, os golpes podem variar conforme o período do ano. Durante a “Black Friday”, por exemplo, são comuns os sites de comércio eletrônico fraudulentos que atraem vítimas oferecendo produtos a preços muito abaixo do mercado.

A fraude de falsa central bancária, na qual golpistas se fazem passar por gerentes de banco e alertam sobre supostas compras a serem contestadas, também é uma prática recorrente.

As redes sociais têm se tornado um terreno fértil para esses crimes. Os golpistas frequentemente utilizam fotos de familiares da vítima, além de informações públicas, para pedir dinheiro por meio de aplicativos de mensagens. Um exemplo citado é o caso em que um criminoso se passou pelo filho da vítima, afirmando que precisava de um Pix porque o carro havia quebrado na estrada.

Além disso, muitos golpistas se apresentam como gestores de investimentos nas redes sociais, utilizando tráfego pago para alcançar mais pessoas. Com propostas imperdíveis que prometem retornos financeiros expressivos, as vítimas são levadas a agir rapidamente, acreditando que se trata de uma oportunidade única.

A rotina acelerada e o multitasking são utilizados pelos criminosos para aplicar suas fraudes. Barbosa reforça que a melhor forma de evitar tais situações é não agir no automático. “Antes de agir, pare, respire e desconfie”, recomenda o delegado.

Se alguém entrar em contato solicitando dinheiro de maneira inesperada, o primeiro passo deve ser interromper o contato e verificar a situação.

No caso de um pedido de dinheiro por parte de um suposto familiar, a orientação é desligar e ligar para a pessoa pelo número que já se conhece. Para questões bancárias, é fundamental buscar os canais oficiais da instituição e, sempre que possível, confirmar a informação diretamente na agência.

A mesma cautela deve ser aplicada a ofertas que pareçam vantajosas ou que exijam decisões imediatas. Discutir a proposta com alguém de confiança pode ajudar a identificar indícios de fraude.

Se a fraude ocorrer, a rapidez é crucial. O primeiro passo é contatar o banco para informar sobre o golpe e tentar bloquear qualquer movimentação. Em casos de transferências por Pix, a vítima pode solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável. É igualmente importante manter registros como prints e conversas, evitando apagar mensagens ou bloquear contatos antes de preservar as informações. Alterar senhas e bloquear cartões é essencial, pois esses dados podem ajudar a Polícia Civil na investigação, e a rapidez na comunicação pode ser decisiva para a recuperação de valores.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br/golpistas-exploram-emocoes-veja-proteger/

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