A trajetória de Aníbal Augusto Sardinha, conhecido como Garoto, está em destaque em uma exposição no Instituto Arte no Dique, em Santos, no litoral de São Paulo. A mostra “Garoto, a Revolução das Cordas” reúne fotografias, partituras, objetos pessoais e registros históricos sobre o músico, compositor e multi-instrumentista que ajudou a transformar a linguagem do choro e do violão brasileiro.
A exposição é realizada em parceria entre o Instituto Arte no Dique, a Associação Comercial de Santos e o Clube do Choro de Santos. Entre os 14 painéis da mostra estão materiais cedidos pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ), além de itens relacionados à passagem de Garoto por Santos.
Nascido em São Paulo, em 1915, Garoto começou a carreira ainda criança e se destacou pelo domínio de diversos instrumentos de cordas, como violão, violão de sete cordas, cavaquinho, bandolim, banjo e guitarra. Ao longo da carreira, passou por rádios, integrou o Bando da Lua e acompanhou Carmen Miranda em uma turnê pelos Estados Unidos e Canadá.
Um dos destaques da exposição é o sobretudo usado pelo músico durante essa viagem internacional, entre 1939 e 1940. A peça foi doada ao Clube do Choro de Santos em 2015, por iniciativa do filho do artista, Antônio Augusto de Castro Sardinha.
A ligação de Garoto com Santos também aparece em outro item da mostra: um violão tenor branco utilizado por ele em apresentações nos cassinos do litoral e nos estúdios da Rádio Atlântica de Santos. O público pode conferir ainda a partitura manuscrita do choro “Pequenininho”, composto em 1944 e dedicado a Nelson Baptista Campos, músico conhecido como “malabarista do violão tenor” e ligado à emissora santista.
Garoto também compôs, na mesma data, “Gentilíssimo”, dedicado a Gentil Castro, outro profissional da Rádio Atlântica. As duas obras receberam gravações inéditas no CD “Almanach de Choro”, produzido pelo Clube do Choro de Santos.
Garoto morreu em 1955, aos 39 anos. Apesar da carreira curta, deixou uma obra que influenciou diferentes gerações de músicos e ajudou a aproximar o choro de novas linguagens e influências musicais.
Fonte: https://santaportal.com.br/