De acordo com o médico, pesquisador e coordenador do programa USP 60+, Egídio Dorea, em todo o planeta, cerca de 39% a 45% dos idosos se encaixam no perfil. Para envelhecer com saúde, bem-estar e qualidade de vida, é fundamental estar atento à polifarmácia, que se refere ao uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos. Esse cenário é comum entre pessoas que tratam múltiplas doenças crônicas, mas traz seus riscos.

Segundo Egídio Dorea, médico, pesquisador e coordenador do programa USP 60+, estima-se que, globalmente, cerca de 39% a 45% dos idosos se enquadram nesse perfil. “No Brasil, a prevalência varia de 18% a 57% dependendo da população estudada, sendo mais comum entre mulheres, pacientes com múltiplas comorbidades e pessoas com mais de 75 anos. Embora muitos medicamentos sejam necessários, o uso excessivo é um sério problema”, alerta ele.

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O uso excessivo de medicamentos está relacionado a reações adversas e interações perigosas, que podem resultar em quedas, episódios de confusão mental e hospitalizações. O risco de iatrogenia, que inclui danos não intencionais causados pelo tratamento médico, é alarmante. Observamos frequentemente o uso prolongado e inadequado de benzodiazepínicos, anti-inflamatórios e inibidores de prótons sem uma indicação clara.

Dorea recomenda, para romper esse ciclo, que se adote um uso racional dos medicamentos e a prática da desprescrição. “Os idosos não devem interromper os medicamentos por conta própria, mas sim consultar seus médicos e revisar a lista periodicamente. O objetivo é reduzir doses ou suspender medicamentos que não oferecem mais benefícios e que, na verdade, podem prejudicar mais do que ajudar”, conclui.

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Egídio Dorea sugere: “É essencial perguntar ao médico: ‘ainda preciso deste remédio? Existe algo não medicamentoso que possa substituí-lo?’ Isso ajuda a evitar a perigosa ‘cascata medicamentosa’, onde um novo medicamento é prescrito para tratar os efeitos colaterais de outro já em uso.” Portanto, envelhecer com saúde não significa necessariamente tomar mais medicamentos, mas usar apenas o que é necessário, de maneira consciente e segura.

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