Em entrevista ao SP POD, a delegada Jamila Jorge Ferrari destacou que os diferentes canais permitem que as vítimas procurem ajuda tanto presencialmente quanto de forma remota – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo A rede policial especializada no atendimento a mulheres vítimas de violência em São Paulo cresceu 87,6% desde janeiro de 2023, passando de 202 para 379 unidades. No total, há 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 235 Salas DDM, além da DDM Online e do aplicativo SP Mulher Segura.

Durante uma entrevista ao SP POD, o videocast da Agência SP, a delegada titular da DDM Online, Jamila Jorge Ferrari, enfatizou que os canais de atendimento possibilitam que as vítimas procurem auxílio de forma presencial ou remota, e ressaltou que a responsabilidade pela violência sempre recai sobre o agressor.

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“É essencial comunicar às mulheres que a culpa nunca é delas. O agressor é sempre o responsável pela violência. Xingar é crime, assim como empurrar, puxar cabelo, bater e chutar. Elas têm todo o direito de solicitar ajuda”, afirmou Jamila.

A delegada também mencionou que a Polícia Civil possui equipes treinadas para acolher as vítimas e encaminhá-las para a rede de proteção. “Contamos com policiais bem preparados, e continuamente capacitamos nossas equipes para que as mulheres sejam acolhidas com humanização e consigam romper o ciclo da violência”, explicou.

Os dados da rede especializada indicam um aumento na procura pelos canais policiais. Entre janeiro e junho deste ano, houve um aumento de 15,3% no número de boletins de ocorrência registrados nas DDMs, DDM Online e Salas DDM 24 horas, comparado ao mesmo período do ano anterior.

Além disso, os pedidos de medidas protetivas subiram 32,1% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025.

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A DDM Online possibilita o registro de boletins de ocorrência e a anexação de provas, como fotos e capturas de tela de conversas. O serviço é acessível via computador ou celular e monitorado 24 horas por uma equipe especializada.

Jamila frisou que o atendimento digital também é útil para identificar situações de emergência, mesmo quando a vítima não pode relatar os detalhes. Durante o SP POD, ela compartilhou a história de uma mulher que se escondeu no banheiro e registrou um boletim pela internet, temendo que o agressor ouvisse uma chamada para a polícia.

“Ela fez um registro rapidamente, informando apenas: ‘socorro’”, contou a delegada.

A equipe da DDM Online reconheceu o pedido e acionou a Polícia Militar. Jamila relatou que uma viatura foi enviada à residência, onde foi constatado que a mulher estava em cárcere privado. O agressor, que estava armado, foi preso.

Outra ferramenta disponível para as mulheres é o aplicativo SP Mulher Segura, que agrega serviços de proteção e permite o registro de boletins de ocorrência. Desde seu lançamento em março de 2024, o aplicativo já registrou 3,1 mil boletins e contabilizou mais de 20,8 mil acionamentos do botão do pânico. Até agosto de 2026, a plataforma tinha 83,1 mil usuárias ativas.

Para mulheres com medidas protetivas ativas, o aplicativo possibilita o acionamento do botão do pânico em situações de risco. Quando o agressor é monitorado por tornozeleira eletrônica, a ferramenta também envia alertas de aproximação.

No SP POD, Jamila mencionou o caso de uma mulher que, com medida protetiva, foi abordada pelo agressor durante um show. O homem entrou no local e passou a ofendê-la e ameaçá-la, fugindo ao perceber que ela havia acionado o botão do pânico.

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A vítima registrou uma ocorrência por descumprimento da medida protetiva. A Polícia Civil pediu a prisão do agressor, que foi localizado e detido em menos de dez horas, com o auxílio da DDM responsável pela região.

As medidas protetivas de urgência podem ser solicitadas pela Polícia Civil, mas a decisão final cabe ao Poder Judiciário. Em caso de descumprimento, o agressor pode ser preso, dependendo das circunstâncias.

A estrutura de atendimento especializado conta com cerca de 1,6 mil policiais. Desde janeiro de 2023, a rede recebeu um reforço de 774 agentes. Além das DDMs e Salas DDM, os canais digitais de atendimento também fazem parte da proteção oferecida, juntamente com serviços como a Cabine Lilás, a Patrulha SP Mulher Segura e as Salas Lilás em Institutos Médico-Legais (IMLs).

Até o momento, mais de 10,9 mil homens foram presos por violência doméstica, um aumento de 25,7% em relação ao mesmo período de 2025. Outros 260 agressores estão sendo monitorados por tornozeleira eletrônica. A Cabine Lilás já realizou mais de 34 mil atendimentos e efetivou 141 prisões em flagrante por desrespeito às medidas protetivas.

As ações de proteção e combate à violência contra a mulher fazem parte do movimento SP por Todas, iniciado em março de 2024. Coordenada pela Secretaria de Políticas para a Mulher, essa iniciativa reúne políticas públicas desenvolvidas em colaboração com diversas áreas do Governo do Estado, visando ampliar a proteção e assegurar às mulheres acesso à segurança, saúde, autonomia financeira e acolhimento social.

Para consultar os locais de atendimento das DDMs e Salas DDM 24h, acesse: https://www.spportodas.sp.gov.br/sp-por-todas/seguranca_mulher/delegacias_da_mulher.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br/sp-pod-rede-de-atendimento-a-mulheres-vitimas-de-violencia-cresce-876-em-sp/

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