Comemorado em todo o Brasil no dia 15 de outubro, o Dia dos Professores destaca a importância dos profissionais que educam gerações, ao mesmo tempo em que revela uma realidade frequentemente ignorada fora das instituições de ensino. Além das horas em sala de aula, os educadores enfrentam a dura rotina de planejamentos, correções de atividades, um aumento da indisciplina, exigências excessivas em relação ao desempenho dos alunos e o desafio de equilibrar as responsabilidades profissionais com a vida pessoal.
Pesquisa internacional do Talis (OCDE) traz dados que ilustram essa realidade para o Brasil:
De acordo com Renata Conrado, especialista em saúde mental corporativa e gestão de riscos psicossociais e sócia da Great People Mental Health (GPMH), o estresse crônico sem momentos de descanso é um dos principais fatores para o esgotamento entre os professores.
“O problema se agrava quando o educador permanece em um estado de alta tensão por semanas ou meses sem se recuperar adequadamente. Sintomas como insônia persistente, mudanças de humor, irritabilidade e cansaço constante são sinais claros de que o limite foi atingido”, alerta Renata.
A especialista enfatiza que o cuidado com a saúde mental deve ir além de iniciativas pontuais.
“A saúde mental não pode ser abordada apenas por meio de palestras ou campanhas isoladas, como o Setembro Amarelo. A verdadeira prevenção acontece quando as instituições adotam práticas que promovam o cuidado e a segurança psicológica na rotina diária da gestão escolar.”
Vinícius Alves, professor de 29 anos, aponta que a diminuição da atenção dos alunos, provocada pelo uso excessivo de dispositivos eletrônicos, torna o processo de ensino ainda mais desafiador. Ele observa que a autoridade do professor tem se tornado cada vez mais frágil.
“Hoje, o professor se sente como se estivesse pisando em ovos. É preciso dar aulas, planejar, corrigir atividades, atuar como um psicólogo informal e lidar com cobranças constantes. Muitas vezes, os pais transferem para a escola responsabilidades que deveriam ser da família e questionam o educador sem antes ouvi-lo. O trabalho se estende além das quatro paredes da sala de aula: são duas a três horas extras por dia em casa para finalizar notas e relatórios”, explica Vinícius.
Em resposta ao desgaste enfrentado pela categoria de educadores, a Prefeitura de Santos, através das secretarias de Educação (Seduc) e de Finanças e Gestão (Sefin), está oferecendo uma estrutura municipal focada na promoção da saúde e na mediação de conflitos para os servidores públicos.
Fonte: https://santaportal.com.br/saude/saude-mental-dos-profissionais-da-educacao-entra-no-debate-sobre-condicoes-de-trabalho/