Classificado como em perigo de extinção, o sagui-da-serra-escuro ocorre naturalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Fotos: Governo de SP O Centro de Conservação de Fauna Silvestre (Cecfau), gerido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) em Araçoiaba da Serra, região de Sorocaba, está em festa. Após o nascimento de quatro micos-leões-pretos em setembro, agora são dois saguis-da-serra-escuros que chegaram durante o feriado prolongado. Com os novos gêmeos, o número de primatas nascidos no centro em menos de 20 dias já é seis, todos de espécies ameaçadas de extinção.

Os recém-nascidos são fruto da união de Bia, de 8 anos, e Xereta, de 13 anos, ambos exemplares com experiência na reprodução, agora somando 12 descendentes. Bia nasceu no Zoológico de Guarulhos, enquanto Xereta foi encontrado abandonado ainda filhote e levado ao Zoológico de Alfenas, em Minas Gerais. Desde a chegada ao Cecfau em 2021, eles têm contribuído para a preservação da espécie.

Na criação dos filhotes, a responsabilidade não é apenas da mãe. Nos saguis-da-serra-escuros, o pai e os irmãos mais velhos também se envolvem, carregando os pequenos nas costas. Essa troca de tarefas é essencial para o desenvolvimento dos filhotes e proporciona aprendizado sobre como zelar por uma nova geração.

“Cada nascimento é uma celebração, especialmente para espécies em risco de extinção. Observamos com entusiasmo a participação da família nos cuidados. O pai e os irmãos mais velhos são fundamentais para carregar os filhotes, adquirindo comportamentos valiosos para quando se tornarem pais. Esse trabalho em grupo é uma característica da espécie que buscamos preservar no Cecfau,” informa a veterinária Mayara Caiaffa.

Reconhecido como uma espécie em risco de extinção, o sagui-da-serra-escuro é nativo dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com uma população estimada entre 10.000 e 11.000 indivíduos na natureza. Apenas cerca de 80 estão sob cuidados humanos.

Com o nascimento dos gêmeos, o Cecfau agora totaliza 29 saguis-da-serra-escuros nascidos em suas instalações e atualmente abriga 17 indivíduos da espécie. Seis animais já foram transferidos para outras instituições, contribuindo efetivamente para os programas de conservação. Entre eles, estão dois descendentes de Bia e Xereta, que foram enviados para o Zoológico de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, e para o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro.

E as boas notícias não param por aí. Athena, uma fêmea de sagui-da-serra-escuro que reside no Cecfau, está gestante de gêmeos, fruto de seu relacionamento com Eros, com quem já teve 12 filhotes. Espera-se que os novos membros da família cheguem até o final deste ano.

A chegada dos saguis é um acontecimento que ocorre apenas algumas semanas após outra série de nascimentos no Cecfau. Nos dias 22 e 28 de setembro, dois casais de micos-leões-pretos deram à luz gêmeos. O fato gerou grande interesse devido ao parentesco dos animais: Keila, de 13 anos, se tornou avó com o parto dos filhotes de sua filha Bernadete e, seis dias depois, deu à luz outros dois.

O mico-leão-preto, que é considerado uma espécie ameaçada de extinção, é endêmico da Mata Atlântica paulista, com uma população estimada de cerca de 1.600 indivíduos na natureza. Esses nascimentos ressaltam a importância dos esforços de conservação do Cecfau, que monitora a reprodução, o comportamento e o desenvolvimento dos animais em cativeiro.

Há 11 anos, o Cecfau se dedica a desenvolver programas de conservação de diversas espécies da fauna brasileira, focando em reprodução, manejo e pesquisa científica. Entre as espécies atendidas estão a arara-azul-de-lear e a perereca-pintada-do-rio-Pomba, que está criticamente ameaçada de extinção. A instituição contabiliza mais de 450 nascimentos de animais sobre cuidados humanos, reforçando seu papel na preservação da biodiversidade brasileira.

Assista aos primatas no vídeo abaixo:

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