A falta de atividade física regular é considerada um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e uma série de condições crônicas de saúde. Apesar dos constantes alertas médicos, uma parcela significativa da população ainda deixa o exercício em segundo plano, subestimando as consequências silenciosas que a inatividade impõe ao organismo com o passar dos anos.
O sedentarismo está diretamente associado ao aumento das chances de infarto agudo do miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (AVC), hipertensão arterial, diabetes tipo 2, obesidade e insuficiência cardíaca. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a inatividade física é responsável por contribuir para milhões de mortes evitáveis em todo o mundo anualmente.
Segundo a cardiologista Noara Barros, a falta de movimento gera uma reação em cadeia no corpo humano.
“O sedentarismo favorece o ganho de peso progressivo, o aumento da pressão arterial, alterações drásticas nos níveis de colesterol e a resistência à insulina. Além disso, está intimamente associado à perda precoce de massa muscular, fragilidade óssea, redução da qualidade de vida e à diminuição da expectativa de vida do indivíduo”, alerta a médica.
A especialista explica que o corpo humano foi biologicamente projetado para se movimentar. Quando passamos muitas horas consecutivas sentados, o metabolismo desacelera drasticamente: ocorre um menor gasto energético, piora no controle da glicose, redução drástica da circulação sanguínea periférica e o aumento de processos inflamatórios nas artérias.
Um dado que costuma surpreender os pacientes é que o comportamento sedentário prolongado prejudica até mesmo quem se exercita.
“Mesmo pessoas que praticam atividades físicas de manhã podem sofrer consequências vasculares se permanecerem sentadas na cadeira do escritório por períodos muito longos e ininterruptos ao longo do restante do dia”, adverte a médica.
Diferente do que o senso comum aponta, a falta de exercícios não compromete apenas a saúde da terceira idade. Ela age de forma prejudicial em todas as faixas etárias:
O organismo emite sinais claros de que a falta de movimento está afetando a saúde. Os principais indícios são o cansaço ou falta de ar excessiva ao realizar atividades simples do cotidiano (como subir um lance de escadas), ganho de peso injustificado, oscilações para cima na pressão arterial e a piora progressiva nos exames de rotina de glicemia e colesterol.
Na avaliação da cardiologista Noara Barros, o sedentarismo deve ser encarado com a mesma gravidade que outros fatores de risco clássicos da cardiologia, como o tabagismo, o colesterol alto e a hipertensão. A diferença é que a inatividade costuma ser socialmente negligenciada.
Para sair da zona de risco e utilizar o exercício como um “remédio natural”, as diretrizes médicas recomendam uma meta semanal acessível:
“Pequenas mudanças de hábito já geram um impacto protetor imenso. Ninguém precisa necessariamente virar um atleta de alto rendimento. Começar a caminhar alguns minutos por dia, trocar o elevador pelas escadas e levantar-se da cadeira a cada hora de trabalho já trazem benefícios fundamentais para a saúde do coração e do organismo como um todo”, conclui a cardiologista.
Fonte: https://santaportal.com.br/