As mulheres são a maioria entre os idosos paulistas, e essa diferença aumenta conforme a idade avança. Foto: Governo de SP De acordo com dados do Painel População da Fundação Seade, o estado de São Paulo já possui um idoso para cada criança ou adolescente com menos de 15 anos. O índice de envelhecimento atingiu 101,0, ou seja, há 101 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 jovens nessa faixa etária, conforme dados de 2025. Em comparação, em 1950, essa relação era de apenas 11,6.

“Estamos testemunhando uma mudança significativa na estrutura etária da população paulista. Em 1950, havia cerca de 12 idosos para cada 100 crianças e adolescentes com menos de 15 anos. Hoje, essa relação quase chega a um para um, indicando que a população do estado está se tornando progressivamente mais madura”, ressalta Bernadette Waldvogel, gerente da área de Demografia da Fundação Seade.

Atualmente, as mulheres representam a maioria entre os idosos paulistas, e essa diferença se acentua com o avanço da idade. O total de habitantes com 60 anos ou mais chegou a 8,4 milhões. Esses idosos equivalem a 18,4% da população total do estado, sendo 10,5% mulheres e 7,9% homens.

Um outro fator que impacta essa realidade é a chegada da geração X à terceira idade. Entre os paulistas, 549 mil pessoas completaram 60 anos, pertencendo a esta geração, que inclui aqueles nascidos entre 1965 e 1980. Essa faixa representa 6,6% da população idosa. O grupo com 60 anos ou mais já se aproxima do grupo formado por indivíduos de 45 a 60 anos, que totaliza 9,2 milhões.

A intensidade do envelhecimento é notável na evolução do índice nas últimas décadas. O índice de envelhecimento em São Paulo (número de pessoas com 60 anos ou mais por 100 indivíduos entre 0 e 14 anos) cresceu 8,7 vezes de 1950 a 2025. Em 2000, havia 34,1 idosos para cada 100 crianças menores de 15 anos; em 2010, essa relação foi a 53,9; em 2020, a 82,3; e em 2025, pela primeira vez, ultrapassou 100.

Em 1950, a população paulista era majoritariamente jovem, com apenas 11,6 idosos para cada 100 crianças e adolescentes de até 15 anos. No início do século XXI, esse índice chegou a 34,1 e, em 2025, quase igualará o número de jovens nessa faixa etária, sinalizando uma alteração significativa na estrutura etária do estado, que permanece em processo de envelhecimento crescente.

O envelhecimento também ocorre em municípios do estado. Em 2000, apenas Águas de São Pedro tinha um número de idosos superior ao de crianças e adolescentes, com um índice de 110,9. Em 2025, esse cenário se amplia, embora existam variações regionais: os menores índices se concentram no sul do estado, enquanto o norte apresenta municípios com mais de 120 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos.

Em Turmalina, o maior índice de envelhecimento registrado foi de 322,0, superando Águas de São Pedro, que ficou com 270,1. De modo geral, essa situação reflete a combinação de baixa fecundidade e aumento da expectativa de vida.

Em 2000, os municípios com os índices mais baixos de envelhecimento estavam localizados no sul e litoral paulista, com Francisco Morato (11,5%) na região metropolitana se destacando pela alta quantidade de jovens. No norte do estado, a maioria dos municípios apresentava índices superiores a 40%, com uma concentração maior na região noroeste. O único município onde o número de idosos superava o de jovens era Águas de São Pedro (110,9%) na região central.

Em 2025, os menores índices continuam a ser registrados no sul do estado, como em Itapevi (53,8%), refletindo que, embora a população esteja envelhecendo, ainda há uma proporção maior de jovens. No norte do estado, predominam os municípios com índices de envelhecimento acima de 120%, especialmente na região noroeste, denotando uma população mais envelhecida. No geral, os índices têm aumentado significativamente, com as áreas do noroeste do estado apresentando os valores mais altos, em grande parte devido à baixa fecundidade e à elevação da expectativa de vida.

Sobre Equipe

Equipe editorial do Repórter São Paulo.

Ver todas as matérias