A retirada de árvores centenárias na Alameda Armênio Mendes, em Santos, provocou protestos de moradores e questionamentos sobre os impactos ambientais da intervenção. A Prefeitura de Santos afirma que a obra é necessária para garantir a acessibilidade de pedestres e permitir a implantação da rede elétrica subterrânea na via. Aliás, a reurbanização entra em uma nova etapa a partir desta segunda-feira (3).

Segundo a administração municipal, a remoção ocorre porque as árvores ocupam calçadas estreitas, dificultando a circulação de pedestres e a instalação dos dutos subterrâneos. O plano técnico prevê que, das 53 árvores manejadas, 35 serão transplantadas para a orla, enquanto a compensação ambiental contempla o plantio de 479 novas árvores em bairros vizinhos.

A vereadora Débora Camilo (PSOL) criticou a retirada das árvores e afirmou que a medida compromete o patrimônio ambiental e histórico da cidade.

“É inadmissível que a Prefeitura utilize o discurso da reurbanização para justificar a retirada de árvores centenárias, que fazem parte da história e da identidade de Santos. Desenvolvimento urbano não pode ser sinônimo de destruição do patrimônio ambiental”, defende a parlamentar, que denunciou a ação em suas redes sociais.

O projeto de reurbanização prevê o plantio de 35 ipês-roxos, com altura superior a cinco metros, e 10 jerivás na Alameda Armênio Mendes. Moradores, no entanto, afirmam que a substituição altera a paisagem histórica da via, uma vez que as novas espécies ainda levarão anos para atingir o porte das árvores removidas.

O debate ocorre em um momento em que os efeitos da crise climática desafiam a infraestrutura da Baixada Santista. Moradores argumentam que a retirada de árvores de grande porte pode intensificar a formação de ilhas de calor, reduzir o sombreamento e comprometer a capacidade de absorção da água da chuva.

O impacto também é percebido no conforto térmico de quem circula pela região, já que as novas mudas de ipês levarão anos para oferecer o mesmo nível de sombra e benefícios ambientais das árvores centenárias.

“Falta transparência, diálogo com a população e a apresentação de estudos técnicos que comprovem a necessidade de uma medida tão drástica. Quem governa precisa entender que preservar o meio ambiente não é um obstáculo ao progresso, mas uma obrigação diante da crise climática que a cidade já enfrenta e enfrentará nos próximos anos”, conclui Débora Camilo.

A reurbanização da Alameda Armênio Mendes entra em uma nova etapa a partir desta segunda-feira (3). O trecho interditado da via será ampliado até a Rua Primeiro de Maio, com novas alterações no trânsito da região, incluindo o bloqueio do cruzamento da Rua Ricardo Pinto com a Avenida Epitácio Pessoa.

As intervenções são realizadas pelo Grupo Mendes, por meio de um Trimmc (Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e Compensatórias), sem recursos da Administração Municipal. A conclusão está prevista para o fim do segundo semestre.

O projeto, dividido em cinco etapas, inclui a renovação das redes de drenagem, abastecimento de água e esgotamento sanitário, além do embutimento de cabos aéreos da CPFL, telefonia e internet. Também estão previstas a revitalização da pavimentação, com cruzamentos em blocos de concreto, calçadas acessíveis e novo paisagismo.

Com a nova fase da obra, motoristas que trafegam pela Avenida Coronel Joaquim Montenegro (canal 6), no sentido praia, e desejam acessar a Alameda Armênio Mendes deverão seguir pela Avenida Bartolomeu de Gusmão até a Rua General Rondon, depois pela Avenida Epitácio Pessoa e pela Rua Guaibê.

As linhas municipais 8 e 100 e as intermunicipais 927 e 940 também terão alterações temporárias de itinerário. A CET-Santos orienta motoristas a ficarem atentos à sinalização e informa que as rotas alternativas estarão disponíveis no aplicativo Waze.

Fonte: https://santaportal.com.br/

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