Atualmente, a rede estadual de ensino tem 5.852 professores que lecionam para pessoas privadas de liberdade – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo Aos 49 anos, a professora de matemática Daniela Viviane Fernandes Shimizu, com apenas três anos de experiência, foi reconhecida como Professora Nota 1.000 na primeira edição do prêmio criado pelo Governo de São Paulo para homenagear docentes que fazem a diferença na rede estadual. Durante os dezoito anos anteriores à sua atuação na Escola Estadual Márcia Helena Barbosa Lino, em São José dos Campos, Daniela manteve seu diploma guardado, temerosa em enfrentar uma turma de alunos. Sua fobia foi superada quando começou a ensinar em uma classe vinculada ao Programa de Educação nas Prisões (PEP), após um encorajamento significativo da família.
“Sempre sonhei em ser professora desde pequena, inspirada por uma professora da sexta série. Iniciei a faculdade e me formei, mas o medo tomou conta de mim”, relata Daniela, que leciona matemática para a 1ª e a 3ª séries do Ensino Médio. “Entrar no Centro de Ressocialização Feminino foi inicialmente desafiador, pois pensei que quase ninguém se atreveria a entrar lá. Subsequentemente, me apaixonei pela proposta da instituição, e esse foi o impulso para que eu lecionasse em outras escolas, até a atual”.
No momento, a rede estadual conta com 5.852 educadores que lecionam para pessoas privadas de liberdade. O Programa de Educação nas Prisões oferece educação básica em estabelecimentos penais, além de unidades psiquiátricas no estado.
Sua vivência com alunos de diversos perfis e idades a levou a adotar duas abordagens na educação matemática: estreitar a relação com os alunos e focar em um método prático de ensino.
Para Daniela, a chave é reduzir a resistência à matemática. “Nos últimos três anos, já encontrei diversos alunos que detestavam matemática. No final, muitos se tornaram excelentes alunos, pois a conexão foi estabelecida.”
Além disso, ela adapta suas aulas para se adequar aos ambientes. “Eu trago a aula para a vida real. Com os alunos do Ensino Médio, por exemplo, quando fazemos um piquenique ao ar livre, relaciono uma árvore com o Teorema de Pitágoras, por conta da geometria”, explica. “Aposto também em videoaulas e acredito que é essencial que os alunos tenham contato com a disciplina por diferentes vozes de professores, o que enriquece a compreensão.”
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Mil educadores da rede estadual foram homenageados no dia 5, no 1º Prêmio Professor Nota 1.000, criado pelo Governo de São Paulo para reconhecer os professores de escolas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) com base no desempenho de seus estudantes e na frequência nas aulas. Esta é a fase final do Prêmio Professor Nota 10, que celebra 25 mil docentes em todo o estado.
A professora Daniela é uma das 14 profissionais da região de São José dos Campos homenageadas na cerimônia.
Os critérios avaliados para a premiação foram as maiores pontuações em frequência em sala, avaliação de desempenho e notas dos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), um exame anual que mede a qualidade da educação básica no estado. Dos 25 mil docentes reconhecidos no Prêmio Professor Nota 10, os mil com melhores pontuações foram selecionados para o Professor Nota 1.000, recebendo uma medalha das mãos do secretário de Educação, em uma cerimônia especial.
As medalhas de Professor Nota 1.000 foram entregues no início da manhã. As Unidades Regionais de Ensino realizam celebrações para reconhecer os Professores Nota 10 com a entrega de prêmios.
Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br/educacao/professora-nota-1-000-presidiaria/