Uma oficina de pandeiro tem trazido leveza aos dias de mulheres vítimas de violência acolhidas em um espaço gerenciado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds), localizado em Santos, litoral de São Paulo, cuja localização é mantida em sigilo.

Na manhã fria e chuvosa da quarta-feira (23), o som vibrante dos pandeiros ecoou pela sala do abrigo, intensificado pela ressonância da pele do instrumento e pelas lâminas de metal que compõem sua estrutura.

Essa iniciativa faz parte do projeto Elas por Elas, promovido pelo Instituto Bordallo, que se dedica a ações culturais. Jullian Bordallo, idealizadora do instituto, ressaltou que além das aulas de pandeiro, também são oferecidas oficinas de teatro. “As oficinas fortalecem as conexões entre elas”, explicou.

As aulas acontecem semanalmente e são conduzidas pela percussionista Lele Lotus, que toca desde os sete anos e, aos 36, compartilha seu conhecimento com aqueles interessados em aprender percussão. “Tocar pandeiro não é difícil, mas é necessário seguir uma dinâmica de batidas para manter o ritmo”, afirmou.

As dez mulheres acolhidas estão em um período de abrigo que pode durar até nove meses, todas com a esperança de recomeçar suas vidas.

S., de 46 anos, foi acolhida devido à agressão sofrida de um de seus filhos, ao contrário da maioria que enfrenta violência de seus companheiros. “Aqui estou protegida e, quando sair, quero tocar minha vida adiante. Enquanto isso, participo das oficinas para distrair a mente e aprender a tocar o pandeiro, que é muito gratificante”, disse.

Outro testemunho é de A., de 40 anos, que vê nas aulas de pandeiro uma forma de deixar as dores de lado e buscar alegria. “Cada uma de nós tem suas aflições e, por vezes, surgem conflitos, mas durante as oficinas conseguimos esquecer as divergências”, comentou.

A educadora social Dilma dos Santos Nascimento explica que as aulas de pandeiro e outras atividades na casa atuam como uma forma de terapia, promovendo maior interação e socialização entre as participantes.

A secretária de Desenvolvimento Social, Renata Bravo, destaca que o trabalho realizado no abrigo vai além do acolhimento. “A arte, a música e a convivência são ferramentas essenciais para elevar a autoestima e a autonomia dessas mulheres, ajudando-as a reescrever suas histórias e trilhar novos caminhos”, concluiu.

Fonte: https://santaportal.com.br/baixada/oficina-de-pandeiro-fortalece-mulheres-acolhidas-em-servico-social-de-santos/

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