O atleta santista Felipe Augusto Werle alcançou um dos momentos mais importantes de sua carreira esportiva ao conquistar a medalha de ouro no Mundial de Patinação Artística, disputado em Chicago, nos Estados Unidos. A vitória marca sua oitava medalha individual em mundiais e sela a tão esperada dobradinha dourada no torneio, nove anos após a conquista de seu primeiro título, em 2017.

Com quase três décadas sobre os patins, ele calçou os primeiros aos oito anos de idade e iniciou a carreira competitiva aos 18, Felipe é um dos nomes mais consistentes da modalidade no Brasil, somando presenças frequentes no pódio internacional.

Em Chicago, a definição do campeão exigiu nervos de aço até a última nota.

“Foi um momento de muita felicidade ao lado dos meus atletas que também participaram do campeonato, ainda mais que a disputa foi acirrada. Até o último momento não sabíamos quem seria o grande campeão, eu ou o meu oponente italiano”, relata Felipe.

A medalha dourada nos Estados Unidos teve um impacto emocional profundo. Embora tenha se mantido na elite da patinação artística internacional ao longo de quase dez anos com múltiplos pódios, o retorno ao lugar mais alto era uma cobrança contínua.

“Minha primeira foi em 2017, com meu primeiro ouro. Desde então, venho conquistando pódios para o Brasil, mas só este ano, nove anos depois, consegui a dobradinha dourada. Todos esses anos venho tentando conquistar a segunda medalha de ouro para o Brasil.”

Mais do que o troféu na galeria, a performance serviu para encerrar uma insegurança que o acompanhava desde a juventude.

“Minha grande dúvida desde o primeiro título, apesar dos inúmeros títulos conquistados, era se eu realmente era bom o suficiente para merecer o primeiro. Em Chicago eu provei para mim mesmo que sou bom naquilo que faço: não foi sorte, não foi erro dos outros, foi por merecer.”

A preparação técnica e física exige disciplina rigorosa. O atleta dedica pelo menos três horas diárias de treinos aos patins. No mês que antecede os campeonatos internacionais, a carga horária dobra, com trabalhos intensivos divididos em dois turnos diários.

Representar Santos e o Brasil nos tablados estrangeiros, contudo, esbarra na barreira dos custos operacionais. O patinador faz questão de reconhecer o suporte institucional da cidade por meio da Secretaria Municipal de Esportes, da Fundação Pró-Esporte de Santos (Fupes), via ProEsporte, e do Programa Municipal de Incentivo Fiscal de Apoio ao Esporte (Promifae).

Por outro lado, o patrocínio privado para custear deslocamentos e estadias segue como um desafio crônico.

“Um dos grandes desafios para nós atletas é encontrar patrocinadores para ajudar a custear os gastos das viagens, que saem todos do nosso bolso.”

Com o bicampeonato mundial garantido e a resposta que buscava para si mesmo, Felipe planeja manter o ritmo regular de competições e treinos, agora com a leveza de quem tirou o peso da autocobrança das costas.

Fonte: https://santaportal.com.br/esporte/atleta-de-santos-conquista-ouro-no-mundial-de-patinacao-artistica-em-chicago/

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