O diretor-presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone Piani, visitou a sede do Sistema Santa Cecília de Comunicação na tarde desta quinta-feira (16) e falou sobre as estratégias da companhia para solucionar, de forma definitiva, as crises de abastecimento na Baixada Santista. Para este ano, a concessionária planeja injetar cerca de R$ 20 bilhões em infraestrutura, um salto drástico se comparado aos R$ 15 bilhões investidos no ano passado e à antiga média histórica de R$ 5 bilhões anuais.

Durante a entrevista, Piani apontou que o crescimento populacional e o turismo pressionam o sistema atual, exigindo uma reformulação estrutural para que a torneira não feche nos momentos de pico.

O presidente da Sabesp reconheceu que o ritmo de crescimento da região superou a capacidade instalada e que o reflexo disso é sentido principalmente nas temporadas de veraneio.

“As cidades se desenvolveram, com uma demanda muito superior à demanda recorrente no período de férias. Então, existe a necessidade de mais investimentos, de mais produção, de mais adução, de mais distribuição”, afirmou Piani.

Apesar do aporte bilionário recorde, o presidente da Sabesp ponderou sobre o tempo físico necessário para que o morador sinta o impacto total das melhorias nas ruas:

“Esses investimentos estão sendo feitos. Infelizmente, eles levam tempo para serem feitos, de modo estrutural leva em média dois anos. O que eu posso dizer é que eles estão em curso”, afirmou

Para erradicar o problema da falta d’água, o foco central da Sabesp não é apenas produzir mais água, mas saber guardá-la. A estratégia tem nome: reservação massiva. De acordo com Piani, os novos reservatórios funcionarão como um escudo contra a estiagem e o aumento repentino de turistas.

“Um dos principais instrumentos ou equipamentos para mitigar esses efeitos é a reservação, porque a gente tem períodos de estiagem, alta demanda. A reservação é um pulmão para lidar com essa volatilidade da demanda”, comentou

Piani detalhou o cronograma agressivo que pretende mudar o panorama da Baixada Santista nos próximos anos: “Já inauguramos oito reservatórios, temos mais dois até o final do ano. Então temos uma expectativa melhor para a região. Mais 23 previstos para os próximos quatro anos, na totalidade de 31, que vão somar mais de 130 milhões de litros de reservação, mais do que o maior reservatório que há aqui na região de Santos, que é da década de 1980. Um esforço muito grande para minimizar esse efeito.”

Para os municípios que mais sofrem com a intermitência no abastecimento, Piani trouxe prazos concretos de obras estruturais que entram em operação nos próximos meses:

O presidente reforçou que os recursos financeiros já estão empenhados, mas que a população precisará de paciência com os cronogramas específicos de cada cidade, mencionando que a região terá inaugurações anuais até o final desta década.

“Isso tudo está em curso, temos obras já contratadas. A Sabesp investia aproximadamente R$ 5 bilhões por ano. No ano passado, investimos R$ 15 bilhões, esse ano devemos investir algo próximo a R$ 20 bilhões. Então, mesmo assim a demanda histórica é muito grande. Mesmo com essa quantidade de dinheiro, o resultado não vem imediatamente. Essas obras estão em curso, algumas com conclusão esse ano, outras no ano que vem. Na região de Bertioga temos obras que estão um pouco mais para frente, em 2029. Teremos inaugurações todos os anos até 2029”, destacou.

Outro fator crucial apontado para estabilizar a pressão da água nas redes existentes é a regularização das ligações clandestinas. Piani explicou que a Sabesp mudou suas diretrizes e agora assume o papel de universalizar o acesso.

“Antes da minha chegada, a Sabesp não tinha como objeto, como obrigação, atender áreas informais, favelas, áreas rurais. Então, as pessoas se viram nesse aspecto. Com a mudança da Sabesp, isso passou a ser uma obrigação. Isso passou a ser um consumo regular”, pontuou.

A partir dessa mudança, a tolerância com desvios ilegais que desestabilizam o sistema será zero, com o uso de tecnologia de ponta para caçar fraudes:

“Agora nós vamos atrás do consumo irregular onde estamos presentes, porque isso acaba onerando os clientes regulares. Isso acaba prejudicando a segurança do fornecimento para os clientes existentes, seja na pressão ou qualidade da água. Temos tecnologias via satélite para identificarmos essas conexões. Temos várias iniciativas.”

Por fim, o executivo destacou que combater a falta d’água também passa por estancar os vazamentos ocultos sob o asfalto, provocados pelo desgaste natural de tubulações que já deveriam ter sido trocadas há décadas.

“Estamos com um programa de renovação de infraestrutura da Sabesp, que na média é muito antiga. Em média, mais de 40 anos e, em outros lugares, mais de 100 anos. Infraestrutura muito envelhecida, que também precisa dessa renovação. Então, esse é o esforço. Estamos focados nisso. O nosso esforço principal é fornecer o acesso para quem não tinha, porque é um histórico que a gente tem que pagar, e garantir a segurança do abastecimento”, concluiu

Fonte: https://santaportal.com.br/

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