Um membro da Banda Esquerdantina falou sobre o espancamento sofrido pelo engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, que teve morte encefálica constatada após ser encontrado desacordado na madrugada de sábado (24), em Santos, no litoral de São Paulo. Ele estava internado na Santa Casa de Santos, intubado e em coma induzido, depois de ser espancado e roubado nas proximidades do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, na Avenida Conselheiro Nébias.

Segundo Douglas Martins, a banda teve conhecimento sobre o ocorrido apenas na manhã do último sábado e procurou a família de Marcelo, para prestar solidariedade.

Após isso, membros da Esquerdantina passaram a atuar em busca de informações que pudessem ajudar a esclarecer o caso. “A banda parou de tocar às 3h, só que existia muita gente ali. Então (o crime) se deu durante o início da dispersão, naquele lugar onde os fatos aconteceram, em uma rua lateral, onde tem um posto de gasolina. O que aconteceu é que o Marcelo foi dirigido para ali pelos criminosos. Existem registros de uma câmera de segurança de uma loja de conveniência, ao lado do posto, que capta aquele trecho onde os fatos aconteceram. Quando ingressa no campo visual da câmera, ele está acompanhado por duas pessoas que estão conduzindo ele para lá, ele não estava indo para lá. Em determinado momento ele é encurralado na parede, quando um grupo de outros se volta contra ele, ali ele é agredido. Essas informações obtivemos porque fomos muito cedo no sábado ao hospital, na Santa Casa de Santos, onde conversamos com o pai do Marcelo. Ele perguntou se tinham registros das câmeras de segurança, a gente não sabia mas nos dispomos a ajudar. Vimos que tinha essa câmera na loja de conveniência. Essas gravações já estavam à disposição da Polícia Civil”, disse.

Para Douglas, as possibilidades de Marcelo ter sido vítima de violência política ou de homofobia estão praticamente descartadas. Ele também rechaçou a possibilidade dele ter saído do local para usar o banheiro.

“Da nossa parte, primeiro queríamos apurar se as gravações existiam. Confirmamos que a Polícia esteve lá e conseguiu extrair essas gravações. Depois, a gente viu que os fatos se deram dessa forma, porque em um primeiro momento houve rumores de que poderia ter sido um ataque homofóbico ou de natureza política, mas os registros ali dão conta que foi mesmo um ataque criminoso para roubar. Na nossa página houveram outros registros de pessoas dizendo que ali havia criminosos agindo junto aquele público que estava do lado de fora. Disseram que o Marcelo havia ido ao banheiro nas imediações, o que não faz nenhum sentido porque tinham 12 banheiros químicos dentro do ambiente onde o show estava sendo apresentado. Não fazia nenhum sentido. Realmente as gravações que circulam, inclusive com áudio, mostram que a pessoa exige que ele entregue o celular, com risco de custar a própria vida dele, que foi o que aconteceu”, afirmou Douglas.

No entanto, o membro da Esquerdantina foi enfático ao criticar a falta de policiamento no local onde ocorreu a apresentação da banda. Segundo Douglas Martins, mesmo com conhecimento sobre o evento que seria realizado, a Polícia Militar não deslocou efetivo para fazer a segurança no local.

“Não tinha policiamento, viaturas passaram por lá ao longo do evento apenas. O evento começou antes das 20h, quando começam a se arrumar as estruturas. Antes disso, houve a transmissão do debate presidencial através de um telão colocado pelo sindicato. Começa a transmissão, o ambiente estava totalmente tomado, não cabia mais ninguém dentro do pátio. Ao final, as duas mãos da avenida, em frente ao sindicato, já estavam interditadas. As informações que pessoas se dirigiram até lá eram públicas e notórias, mas não teve nenhum esquema de segurança pública para garantir a segurança aos participantes do evento”, explicou.

Para Douglas, a situação poderia ter sido evitada caso houvesse policiamento no local. “Sempre fizemos várias manifestações na XV de Novembro e nada aconteceu, é a primeira vez que a gente fez naquela região ali na Vila Nova, no Centro. Havia indício de risco mas, ao invés de nos fazer temer e recuar, temos ideia que isso é um exemplo clamoroso de como a Segurança Pública deve incidir em defesa do povo, inclusive do povo que critica a própria Segurança Pública quando ela é fascistizada. Se fosse outro evento, de calendário oficial ou de caráter conservador, muito provavelmente isso não aconteceria. Quero deixar registrado que os servidores públicos, civis ou militares, são trabalhadores da Segurança Pública. A gente os respeita como tal. A crítica é sobre a orientação política e ideológica que eles recebem. Mas a gente tem consciência que nós dependemos do trabalho deles para poder viver a nossa percepção de democracia com segurança. Não somos inimigos, somos muito respeitosos por saber que o trabalho que eles exercem é da maior importância para a sociedade como um todo”, concluiu.

O engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, teve morte encefálica constatada após ser encontrado desacordado na madrugada de sábado (24), em Santos. O caso gerou mobilização nas redes sociais entre amigos e fãs de grupos de K-pop, gênero musical sul-coreano apreciado por Marcelo, que cobram a identificação dos responsáveis.

Marcelo participava do evento, realizado em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Avenida Conselheiro Nébias. Por volta das 3h, ele se afastou do grupo para ir ao banheiro.

Segundo relatos, os amigos estranharam a demora para retornar e começaram a procurá-lo. Marcelo foi encontrado desacordado na esquina entre a Avenida Conselheiro Nébias e a Rua Henrique Ablas.

A reportagem apurou que ele teria sido abordado por cinco homens, agredido e roubado. O celular e outros pertences também teriam sido levados. As circunstâncias da ocorrência, no entanto, ainda precisam ser esclarecidas.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Civil investiga as circunstâncias da agressão sofrida pelo engenheiro na madrugada de sábado (24), na Vila Mathias, em Santos.

Segundo a pasta, o boletim de ocorrência aponta que a vítima foi agredida por diversos indivíduos e teve o celular e outros pertences roubados. Marcelo foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) à Santa Casa de Santos, onde precisou ser intubado e permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A reportagem apurou que a Santa Casa de Santos constatou a morte encefálica na tarde de sábado. No entanto, segundo o pai, Marcelo Rocha, o jovem foi transferido na noite de domingo (25) para o Hospital São Paulo, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, onde passou por novos exames, que reafirmaram o resultado.

O caso foi registrado no Centro de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos e encaminhado à unidade policial responsável pela área. A Polícia Civil trabalha para esclarecer a dinâmica dos fatos, a motivação do crime e identificar os envolvidos. O Santa Portal proucurou a Polícia Militar (PM), mas não teve retorno até o fechamento desta matéria.

Fonte: https://santaportal.com.br/baixada/santos-baixada/membro-de-banda-critica-falta-de-policiamento-apos-engenheiro-ser-agredido-em-santos/

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