A Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos formalizou um pedido de tombamento da Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, do Complexo Cultural da Zona Noroeste e das áreas utilizadas na operação dos desfiles. O processo será comunicado ao Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa) nesta quinta-feira (16), a partir das 9h, durante a 730ª reunião ordinária do órgão, no Paço Municipal.
A iniciativa ocorre em um momento de indefinição sobre o futuro da área e busca assegurar a permanência do Carnaval santista no espaço que recebe os desfiles oficiais há 20 anos.
Segundo a Liga, o pedido vai além da preservação da estrutura física da passarela. A entidade quer que a proteção alcance também as áreas de concentração, dispersão e apoio operacional, consideradas indispensáveis para a realização da festa.
“O Carnaval não se resume à pista”, afirma a entidade em nota. A avaliação é de que um eventual remanejamento dos desfiles exigiria um complexo com dimensões e infraestrutura semelhantes, capaz de receber arquibancadas, alegorias, carros alegóricos, equipes de apoio, serviços e toda a logística necessária para colocar as escolas na avenida.
Apesar da preocupação, a admnistração municipal ainda não demonstrou intenção de tranferir os desfiles para outros locais da cidade. Antes da Passarela do Samba, a folia já ocupou a orla e a região portuária, por exemplo.
Aliás, o Complexo da Areia Branca, que inclui um hospital pediátrico municipal, uma escola de educação infantil e instalações esportiva, está sendo construído com instalação de vidros duplos com isolamento acústico, em virtude da proximidade com o Sambódromo.
Na justificativa encaminhada ao Condepasa, a Liga argumenta que preservar apenas a passarela, sem proteger seu entorno, abriria caminho para ocupações que poderiam inviabilizar a realização do Carnaval no local, mesmo que a estrutura principal permanecesse de pé.
A entidade afirma reconhecer a necessidade de novos projetos habitacionais e de equipamentos públicos para a cidade, mas defende que essas iniciativas podem ser implantadas em outras áreas. Para a direção da Liga, a Passarela do Samba reúne características históricas e operacionais que não podem ser reproduzidas facilmente em outro endereço.
O pedido será apenas comunicado aos conselheiros na reunião desta manhã. A partir daí, o processo seguirá a tramitação administrativa prevista pelo Condepasa, que poderá solicitar estudos técnicos antes de decidir se o conjunto possui relevância suficiente para receber proteção patrimonial.
Fonte: https://santaportal.com.br/