Até então, os volumes exportados correspondiam principalmente a excedentes de lotes produzidos para atender ao Ministério da Saúde. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo As exportações de soros do Instituto Butantan aumentaram em quase 55% entre 2024 e 2025. O número de frascos enviados para o exterior cresceu de 2.439 para 3.770. Esse avanço se deve a uma combinação de fatores, entre eles a melhora da eficiência produtiva e a intensificação dos esforços comerciais, que buscaram aumentar o número de clientes internacionais, além das particularidades dos mercados nacional e global.

“Esse é um número que tem crescido anualmente. O atendimento ao Ministério da Saúde sempre foi a prioridade para o Butantan, muitas vezes superando nosso potencial produtivo. No último ano, tivemos um aumento de capacidade que ampliou nossas oportunidades de comercialização”, destaca Felipe Carvilhe, gerente das franquias de Influenza e Soros do Instituto Butantan.

Anteriormente, os volumes exportados referiam-se quase que exclusivamente a excedentes de lotes produzidos para o Ministério da Saúde. A única exceção era o soro antidiftérico, que já possuía uma estratégia de produção voltada ao mercado internacional.

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De acordo com dados do Núcleo de Produção de Soros disponíveis nos Relatórios de Atividades de 2024 e 2025, a quantidade produzida de soro concentrado a granel aumentou de 2.430 para 2.831 litros, enquanto o número de lotes do produto subiu de 115 para 141, correspondendo a crescimentos de 16% e 22%, respectivamente.

Dos 12 tipos de soros produzidos pelo Instituto Butantan, quatro foram exportados para países no ano de 2025. O soro antidiftérico foi enviado para a Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Colômbia, República Dominicana, França, Canadá, Áustria, Chile, Bermudas e Gibraltar; o antiaracnídico foi destinado à Holanda e Argentina; enquanto os soros antibotrópico e antilaquético (destinados a tratar picadas de jararaca e surucucu-pico-de-jaca) e o antielapídico (contra veneno de coral-verdadeira) foram exportados para Trinidad e Tobago.

O maior volume no total foi do soro antidiftérico, com aproximadamente 2.500 frascos exportados, seguido pelo soro antibotrópico e antilaquético, contabilizando 1.000 ampolas comercializadas.

Esses números refletem também um reconhecimento crescente do Instituto Butantan no mercado internacional. “Isso é resultado da nossa participação em congressos e eventos internacionais, que fortalecem nossa marca. Também temos feito esforços de busca ativa, entrando em contato com os diferentes ministérios para apresentar nossos produtos e discutir possibilidades de fornecimento. Ademais, o famoso ‘boca a boca’ reforça nossa tradição e qualidade”, observa Felipe Carvilhe.

O especialista ressalta que o Instituto Butantan ainda possui uma significativa margem para crescer nas exportações. Embora os soros contra venenos de animais peçonhentos sejam mais aplicados em países da América do Sul, outros produtos, como os soros antidiftérico, antitetânico, antirrábico e antibotulínico, têm potencial de uso global, dado a universalidade das toxinas que combatem. Em 2026, por exemplo, pela primeira vez o Instituto Butantan enviou frascos dos soros antidiftérico e antitetânico para a Arábia Saudita.

Essa expansão é favorecida também por mudanças no mercado de soros, tanto no Brasil quanto no exterior. Internacionalmente, alguns fabricantes têm interrompido a produção para adequar suas plantas às normativas de fabricação, ou até mesmo abandonado o segmento devido aos custos envolvidos, o que abre espaço para novos fornecedores.

No Brasil, a retomada da produção por parte da Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Minas Gerais, e pelo Instituto Vital Brazil (IVB), no Rio de Janeiro, contribui para atender a demanda do Ministério da Saúde, permitindo que o Instituto Butantan amplie sua atuação internacionalmente.

Durante o período em que essas instituições tiveram a produção interrompida para atender a exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Butantan foi responsável por 100% da demanda do ministério.

“Por, até então, sermos o único fornecedor nacional, muitas vezes éramos forçados a recusar pedidos de outros países devido à falta de capacidade. Agora, com a demanda nacional ajustada e a melhoria na eficiência dos nossos processos internos, podemos atender a mais países”, enfatiza Felipe Carvilhe.

Além disso, o gerente destaca a conquista de investimentos para a construção do novo Centro de Produção de Soros (CPS), que deverá duplicar a capacidade produtiva do Instituto Butantan a médio prazo. “Há um grande esforço técnico para garantir o equilíbrio entre nosso compromisso com o Ministério da Saúde brasileiro e a ampliação da nossa atuação internacional”, conclui.

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