O Programa Guardiã Maria da Penha, uma das principais políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher em Santos, completa sete anos com acréscimo de mais duas equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) dedicadas ao atendimento das mulheres acompanhadas.
O anúncio, nesta quinta-feira (6) ocorreu na cerimônia de aniversário do programa, no auditório da OAB Santos, no Centro Histórico. A partir de janeiro, os novos agentes, atualmente em capacitação, passarão a integrar o efetivo, que hoje conta com 15 guardas distribuídos em três equipes.
O reforço ocorre em um momento de crescimento da procura pelo serviço. Em 2025, o programa recebeu 426 processos de medidas protetivas encaminhados pelo Ministério Público, aumento de 58,9% em relação aos 268 registrados em 2024. Apenas no primeiro semestre de 2026, já foram 230 novos processos, indicando mais um ano de alta demanda.
O efetivo passou de 10 agentes, em 2025, para 15 neste ano, ampliando a capacidade de atendimento e a presença da GCM na proteção às mulheres.
“Quando ampliamos o serviço e levamos informação à população, ajudamos a salvar vidas. Muitas vezes, quem recebe essa orientação consegue identificar uma situação de violência e incentivar outra mulher a buscar ajuda. É assim que fortalecemos essa política pública de proteção e prevenção”, afirmou a prefeita em exercício, Audrey Kleys.
No primeiro semestre de 2026, foram registrados 976 boletins de ocorrência relacionados às ações do programa, 779 no mesmo período do ano passado. Os encaminhamentos à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) passaram de 14 para 19. Em julho, os boletins de ocorrência aumentaram de 122 para 229, enquanto os encaminhamentos à DDM cresceram de três para cinco.
“A ampliação permitirá que o programa continue crescendo com qualidade. Nosso compromisso é fortalecer um serviço que vai muito além da fiscalização das medidas protetivas: acolhe, orienta e oferece segurança para que possam reconstruir suas vidas”, destacou o secretário municipal de Segurança, Flávio de Brito Júnior.
O trabalho foi reconhecido durante a solenidade, que envolveu autoridades e integrantes da GCM em homenagem à equipe que atua diariamente na proteção de mulheres em situação de violência doméstica, além de marcar o início da programação comemorativa pelos 41 anos da GCM.
A secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, Nina Barbosa, destacou que a experiência santista tem servido de referência para outros municípios da Baixada Santista. “Recentemente criamos a Frente Mulher da Baixada Santista para fortalecer essa rede regional de proteção. Em um dos encontros, os guardiões de Santos compartilharam suas experiências, incentivando outros municípios a estruturarem iniciativas semelhantes”.
Há quatro anos no programa, a inspetora-chefe Maria Aparecida Barbosa, de 58 anos, acompanha de perto as mulheres atendidas pelas medidas protetivas. Para ela, o aumento dos casos acompanhados demonstra que mais vítimas estão confiando na rede. “Mais mulheres estão encontrando coragem para denunciar porque sabem que existe uma rede preparada para acolhê-las. O ideal seria que esse programa um dia não fosse mais necessário, mas, enquanto houver violência, estaremos aqui para protegê-las, realizando cerca de 15 visitas por semana”.
A inspetora Nazareth Pereira, de 56 anos, afirma que o momento mais marcante do trabalho é acompanhar mulheres que conseguem romper o ciclo da violência. “O que mais me emociona é vê-las retomando a própria vida, conquistando independência, trabalho e dignidade. É esse recomeço que dá sentido ao nosso trabalho”.
Fonte: https://santaportal.com.br/