A Polícia Civil identificou que o grupo responsável pelas agressões que culminaram na morte do engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 28 anos, em Santos, no litoral de São Paulo, já tinha cometido uma série de outros roubos no mesmo dia do crime. Ao todo, oito pessoas já foram identificadas, sendo seis adolescentes e dois adultos.

“Seis deles são menores e dois maiores. Depois de identificarmos todos eles fizemos a pesquisa criminal, e constatamos que são menores que já possuem antecedentes. Os maiores também, um deles inclusive já têm passagens anteriores. Nós já temos informações documentadas inclusive que naquela noite, naquela madrugada, eles já teriam praticado pelo menos mais cinco furtos ou roubos de aparelhos de telefonia celular. Correntinha eles não haviam conseguido subtrair, mas outros aparelhos de telefonia celular sim”, disse o delegado seccional de Santos, Rubens Barazal, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (28), no Palácio da Polícia.

Segundo Barazal, os envolvidos teriam desempenhado funções diferentes durante a abordagem, as agressões e o roubo. No entanto, todos deverão responder pelo latrocínio que vitimou Marcelo.

“Todos eles vão responder por latrocínio. Estavam todos juntos, esse é um fator de intimidação muito latente. A vítima foi cercada por todos eles. Embora um tenha dado a voz de comando do roubo, todos os outros estavam ali no entorno, quem viu a live sabe isso aí. A vítima se viu cercada, intimidada, e não tinha como reagir. Acabou sendo vítima de um ato covarde Quem concorre para a prática do crime vai responder no limite da sua conduta. Alguns serão apenados mais gravemente, outros menos. Mas todos concorrem porque todos participaram. Os menores terão apenamento diferenciado por causa do estatuto da Criança e Adolescente”, afirmou.

Por fim, o delegado seccional apontou que tem sido uma prática comum entre criminosos transmitirem as ações por lives no TikTok. “Tem se tornado uma concorrência entre eles, infelizmente. Tanto é que o TikTok bloqueou agora essa conta porque está sendo utilizada de forma ilícita, para veicular crimes, e isso é uma apologia ao crime. Mas existe uma concorrência entre eles para ver quem se exibe mais, quem pratica o maior número de crimes. Isso, de fato, infelizmente existe”, concluiu.

Marcelo havia participado de uma apresentação da Banda Esquerdantina, realizada em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O evento começou na noite de sexta-feira (23) e terminou na manhã de sábado (24).

Por volta das 3h, o engenheiro se afastou dos amigos para ir ao banheiro e não retornou. Preocupados com a demora, os colegas começaram a procurá-lo e o encontraram desacordado na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas.

Ele foi socorrido e levado à Santa Casa de Santos, onde permaneceu em coma e intubado. No domingo (25), foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista.

A morte encefálica havia sido constatada no domingo, mas a confirmação da irreversibilidade do quadro dependia de exames médicos. O óbito foi registrado às 17h20 de segunda-feira (26).

Após a confirmação da morte, a família autorizou a doação de órgãos. Segundo informações divulgadas pelo pai da vítima, foram doados rins, pâncreas, fígado e córneas. O velório está previsto para a manhã desta quarta-feira (28), em São Paulo.

A morte de Marcelo provocou manifestações de amigos, integrantes da Banda Esquerdantina e admiradores de K-pop, gênero musical apreciado pelo engenheiro, que cobraram a responsabilização dos envolvidos. A possibilidade de motivação homofóbica também foi levantada publicamente. A investigação continua sob responsabilidade do 4º Distrito Policial de Santos.

Fonte: https://santaportal.com.br/policia/grupo-que-matou-engenheiro-cometeu-serie-de-roubos-e-sera-acusado-de-latrocinio/

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