A família de Thiago Varvello Nasser, empresário de 23 anos morto a tiros dentro da própria loja, em um prédio comercial de Santos, no litoral de São Paulo, entrou na Justiça com um pedido de indenização contra o condomínio e a empresa responsável pelo sistema de controle de acesso do local. Os familiares alegam que falhas no procedimento de entrada facilitaram o acesso do criminoso ao edifício e, posteriormente, ao estabelecimento onde Thiago trabalhava.
O pedido de indenização é de cerca de R$ 1,2 milhão. O valor ainda é uma solicitação feita à Justiça e não significa que a indenização tenha sido concedida. Segundo o advogado da família, Fabrício Posocco, a ação foi apresentada após o encerramento do processo criminal, que reuniu elementos considerados importantes para a responsabilização dos envolvidos.
“A ação foi movida agora porque se esperou o processo criminal, porque as provas que foram obtidas no processo foram muito esclarecedoras. A partir daí, a gente conseguiu montar esse quadro para mover essa ação civil de indenização”, afirmou Posocco.
De acordo com a defesa da família, o homem acusado de cometer o crime teria fornecido três números de CPF incorretos na portaria do prédio. Mesmo sem a conclusão do cadastro, a entrada foi autorizada após contato com a loja. O edifício possui um sistema de catracas e reconhecimento facial para o acesso de pessoas. Segundo o advogado, Thiago e o irmão, Gustavo, foram informados pela portaria sobre a presença do cliente, mas não tinham como saber que o procedimento de credenciamento não havia sido concluído.
“Quem estava lá em cima [Thiago e Gustavo] não sabia que o serviço de cadastramento [do prédio] tinha falhado”, disse Posocco.
A família pede R$ 300 mil por danos morais à mãe de Thiago e outros R$ 300 mil a Gustavo, que também foi baleado no ataque e sobreviveu. O pedido inclui ainda uma pensão vitalícia no valor de um salário mínimo.
Mais de três anos após a morte do filho, Patrícia Varvello Nasser afirma que a tragédia alterou completamente a estrutura da família. “Mudou tudo. O Thiago era o chefe da família, era a alegria, o sustento financeiro da família. Ele era o coordenador do barco. Era um filho, um amigo, um pai para os irmãos. A minha família acabou”, afirmou.
Thiago e o irmão, Gustavo, eram sócios de uma loja de celulares localizada no décimo andar de um prédio comercial na Avenida Conselheiro Nébias, em Santos. Em 1º de fevereiro de 2023, um homem marcou horário para ir ao estabelecimento e comprar um celular.
Após entrar no prédio, ele subiu até o décimo andar e anunciou o assalto. Thiago foi atingido por um tiro no peito e morreu no local. Gustavo foi baleado na virilha e sobreviveu. O criminoso fugiu levando um aparelho celular.
As investigações apontaram que o latrocínio havia sido planejado e quatro pessoas foram responsabilizadas. Matheus Quintino dos Santos foi apontado como autor dos disparos, mas morreu em dezembro de 2023 durante uma tentativa de assalto a policiais militares de folga, em São Vicente, e teve a punibilidade extinta pela Justiça.
Alexsandro Alves de Souza e Ricardo Jorge Gomes foram condenados a 29 anos e dois meses de prisão por participação no crime. Segundo a sentença, eles ajudaram na fuga e deram suporte ao atirador. Alexsandro morreu em julho de 2025 durante um confronto com policiais, em Santos. Ricardo segue preso. Aline Aparecida Mota foi condenada a 16 anos de prisão por ter emprestado a motocicleta usada na ação e posteriormente registrado um falso boletim de ocorrência para alegar que o veículo havia sido furtado.
Em nota, a Mazzini Administração e Empreitas Ltda., empresa responsável pelo sistema de controle de acesso do prédio, contestou qualquer responsabilidade pelo crime. A empresa afirmou que sua prestação de serviços junto ao condomínio se limitava a atividades de recepção e asseio, não incluindo vigilância ou segurança armada ou não armada e monitoramento.
A empresa também afirmou que, segundo as provas produzidas na esfera criminal, a dinâmica do crime teve início em tratativas comerciais anteriores entre o agressor e a vítima e que Thiago, após comunicação com o setor de recepção e ciente da ausência de documento pessoal, autorizou a entrada do visitante.
A Mazzini declarou ainda ter colaborado com as investigações e disse confiar na Justiça para o esclarecimento dos fatos. Segundo a empresa, a colaboradora responsável pelo atendimento “agiu de forma correta e profissional, seguindo os procedimentos ao alertar o condômino sobre a irregularidade”.
Fonte: https://santaportal.com.br/