O aumento do consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos levantou um alerta significativo na comunidade médica brasileira. De acordo com dados do IBGE, aproximadamente 30% dos adolescentes entre 13 e 17 anos já experimentaram os dispositivos popularmente conhecidos como vapes. O sabor adocicado e a falta do odor pungente do fumo tradicional escondem um coquetel químico altamente viciante e prejudicial às vias respiratórias.

O pneumologista Vinicius Giraud alerta que o principal risco do cigarro eletrônico é a desinformação e a falsa percepção de pureza do produto.

“O dispositivo aquece um líquido concentrado que contém nicotina, essências aromatizantes e diversos compostos químicos. O maior risco reside na ilusão de inocuidade, fazendo com que a pessoa pense que está inalando apenas ‘vapor de água’. Na verdade, o uso provoca dependência severa rapidamente, inflamação celular dos tecidos pulmonares, perda acelerada da função respiratória e lesões orgânicas graves”, explica.

A ideia equivocada de que o vape é menos prejudicial que o cigarro comum é contestada por especialistas. Como não produz fumaça densa nem cinzas, o usuário tende a utilizar o dispositivo com maior frequência ao longo do dia, aumentando assim a ingestão de substâncias nocivas.

O vapor inalado transporta partículas ultrafinas que podem alcançar as áreas mais internas dos alvéolos, além de conter resíduos de metais pesados gerados pelo aquecimento da resistência do aparelho.

Os principais sinais clínicos associados ao uso frequente incluem:

A utilização precoce agrava a situação, pois o cérebro na adolescência ainda está em desenvolvimento, tornando as vias neurais de recompensa muito mais vulneráveis à dependência crônica da nicotina. Ao longo do tempo, os danos extrapolam os pulmões, elevando o risco de infartos, arritmias, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e vários tipos de câncer.

Gabriela Santos (nome fictício) teve seu primeiro contato com o dispositivo aos 17 anos durante encontros sociais com amigos. Em pouco tempo, o que começou como um hábito recreativo se transformou em uma necessidade compulsiva.

“Percebi que havia perdido o controle quando precisei sair no meio do expediente para ir ao banheiro e dar tragadas, tudo para lidar com o estresse diário. O vício gerou conflitos com meu namorado e afetou meu desempenho na corrida de rua. Eu não conseguia mais progredir no esporte e sentia falta de ar só deitada para dormir. Meu alerta para todos é claro: não comece. Cada aparelho possui um sabor distinto, parece agradável no início, mas é uma armadilha que prejudica sua saúde”, relata.

Para interromper o uso de cigarro eletrônico, é necessário um apoio técnico e multiprofissional, livre de julgamentos morais.

“A dependência química da nicotina não é questão de falta de força de vontade. Buscar ajuda médica é fundamental para identificar os gatilhos emocionais e comportamentais do vício. Hoje, a medicina oferece terapia comportamental, apoio psicológico e medicamentos auxiliares que tornam o processo de cessação seguro e viável”, conclui o Dr. Vinicius Giraud.

É importante ressaltar que enfrentar isso sozinho não é a resposta. “A dependência de nicotina não resulta de falta de vontade; o ideal é procurar ajuda, identificar os gatilhos do uso e contar com suporte nesse processo. Atualmente, existem estratégias comportamentais, apoio psicológico e, em alguns casos, medicamentos e reposição de nicotina que são bastante eficazes”, finaliza.

Fonte: https://santaportal.com.br/baixada/saiba-mais-sobre-o-risco-do-uso-do-cigarro-eletronicos-entre-os-jovens/

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