As cadeias de transmissão permitem identificar como os casos estão relacionados e acompanhar o caminho percorrido pelo vírus entre pessoas infectadas e seus contatos – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo O estado de São Paulo monitora as cadeias de transmissão do sarampo desde junho e avalia a interrupção da transmissão em alguns municípios. Conforme a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), o monitoramento atual evidencia uma redução na circulação do vírus em várias dessas cadeias. Além disso, a cobertura da primeira dose da vacina contra o sarampo aumentou de 86,56% em abril para 93,24% em julho.

Essas cadeias de transmissão possibilitam compreender como os casos estão interligados e acompanhar o percurso do vírus entre indivíduos infectados e seus contatos. A análise baseia-se em critérios epidemiológicos e laboratoriais, apoiando ações como busca ativa, monitoramento de contatos e vacinação.

LEIA TAMBÉM: Outubro Rosa: SP soma mais de 4,8 milhões de mamografias e reforça ações de diagnóstico e tratamento

No estado, as cadeias identificadas desde junho estão sob vigilância das equipes municipais e da SES-SP. Em algumas delas, não houve novos casos registrados recentemente. Em Guarulhos e São Bernardo do Campo, a vigilância avalia se houve interrupção das cadeias associadas a casos notificados.

Para considerar uma cadeia encerrada, é necessário que se passem 12 semanas sem novos casos relacionados, contadas a partir do início das manchas vermelhas na pele (exantema) do último paciente confirmado. Durante este período, continuam as investigações de notificações suspeitas e as buscas ativas de casos.

A primeira cadeia identificada em 2026, ocorrida entre março e abril e relacionada a dois casos importados, já foi encerrada após o cumprimento do período sem novos registros. As cadeias identificadas em junho, julho e agosto permanecem sob monitoramento.

LEIA TAMBÉM: Automedicação pode piorar síndromes gripais; idosos estão mais vulneráveis, alerta médica de SP

Além disso, o acompanhamento inclui a investigação de novos casos identificados. Até o presente momento, foram registradas 41 confirmações de sarampo em 2026, sendo 37 na capital, duas em São Bernardo do Campo, uma em Guarulhos e uma em Santo André, sem que tenha ocorrido óbitos relacionados à doença.

As ações de vigilância compreendem a investigação dos casos, o rastreamento de contatos, a busca ativa e a análise laboratorial feita pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL).

Para os casos confirmados, também é realizado o sequenciamento genético do vírus pela Fiocruz, laboratório nacional referência para o sarampo. Essa análise complementa a investigação epidemiológica e auxilia na identificação de possíveis relações entre os casos e as cadeias de transmissão.

Conforme declaração de Tatiana Lang D’Agostini, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP) “Prof. Alexandre Vranjac”, em municípios com casos confirmados, as equipes mantêm o acompanhamento dos contatos e realizam ações de bloqueio vacinal conforme a investigação epidemiológica.

A análise das cadeias de transmissão é fundamental para entender como os casos de sarampo estão inter-relacionados e como o vírus se espalhou de um indivíduo para outro. Essa avaliação possibilita à vigilância identificar contatos próximos de pessoas infectadas e adotar medidas para interromper novas contaminações. Para estabelecer uma cadeia, considera-se o período de ocorrência dos casos, as possíveis ligações entre os pacientes e, quando disponíveis, os resultados dos exames laboratoriais que confirmam a relação entre eles.

O sarampo é uma doença respiratória altamente contagiosa. A transmissão pode ocorrer antes mesmo do surgimento das manchas vermelhas na pele, tornando o acompanhamento de contatos e a vacinação estratégias essenciais para interromper a circulação do vírus.

O Brasil ainda mantém o status de eliminação da transmissão endêmica do sarampo, apesar da confirmação de casos recentes em São Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) classifica a situação do Brasil e do Estado de São Paulo como de transmissão limitada, com casos esporádicos, identificação de cadeias de transmissão e medidas de controle sendo adotadas.

Dos 41 casos confirmados até agora, 31 foram em indivíduos sem registro de vacinação contra o sarampo ou com esquema vacinal incompleto. A doença não resultou em óbitos.

Cerca de 61% dos casos foram registrados em crianças menores de 2 anos, um grupo etário mais vulnerável à infecção. Essa concentração reforça a importância da dose zero nos municípios onde essa estratégia é recomendada. “A dose zero protege os bebês, mas não substitui a vacinação de rotina. É essencial que adultos verifiquem a caderneta de vacinação e busquem uma unidade de saúde para atualizar as doses, pois a vacinação protege os imunizados e reduz o risco de transmissão para crianças ainda não vacinadas”, orienta Tatiana.

A cobertura vacinal contra o sarampo aumentou ao longo de 2026. A cobertura da primeira dose subiu de 86,56% em abril para 93,24% em julho. A segunda dose teve um incremento de 72,72% para 78,37% no mesmo período.

A vacina contra o sarampo está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde dos 645 municípios paulistas.

Confira o Esquema de Vacinação:

O portal Vacina 100 Dúvidas proporciona informações sobre vacinação, segurança das vacinas, calendário e prevenção de doenças. A plataforma pode ser acessada gratuitamente em www.vacina100duvidas.sp.gov.br.

Sobre Equipe

Equipe editorial do Repórter São Paulo.

Ver todas as matérias