Alice de Oliveira, de 58 anos, mestra artesã, carrega a herança familiar em seu trabalho. Foto: Divulgação O artesanato no estado de São Paulo é uma manifestação rica que reflete a cultura, a história e as tradições de diversas comunidades. Esta prática não apenas valoriza a herança cultural, mas também gera renda e estimula o desenvolvimento de pequenos empreendimentos. Durante a Semana do Empreendedorismo, o programa Empreendedor Artesão destaca histórias inspiradoras de profissionais que buscam impulsionar suas atividades.

Em 2026, o programa realizou 14 ações itinerantes voltadas para este segmento, oferecendo atendimento e serviços em diversas cidades, como Itapetininga, Mongaguá, São João da Boa Vista, Peruíbe, Itatiba, Paulínia, Santa Branca, Osvaldo Cruz, Tupã, Iguape, Sales Oliveira, Luís Antônio, Dracena e Presidente Prudente. Essas iniciativas resultaram na emissão de 729 Carteiras Estaduais do Artesão e Artesã, um documento que reconhece esses profissionais e amplia seu acesso às políticas de suporte ao setor.

Os benefícios incluem suporte técnico oferecido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), participação em feiras e eventos de comercialização, acesso a capacitações promovidas pela SDE e instituições parceiras, além de orientações sobre as linhas de crédito do Banco do Povo Paulista (BPP).

Em São Paulo, a artesã Giovana Fortini, de 59 anos, encontrou na cerâmica uma nova oportunidade profissional após deixar sua função como gestora em uma agência de eventos corporativos. Sua mudança de carreira, iniciada com um curso noturno de cerâmica na Mooca, se intensificou durante uma viagem a Cunha, onde percebeu que poderia transformar sua paixão em profissão.

“Sou completamente apaixonada pela cerâmica. Meu coração e minha alma ficam felizes quando estou com um pedaço de barro nas mãos. É meu momento de conexão, silêncio e presença. A cerâmica é meu reencontro comigo mesma”, reflete.

Hoje, Giovana sonha em ter seu próprio ateliê, onde pretende não só produzir, mas também ensinar e promover encontros e trocas de saberes entre profissionais.

Na costa paulista, em São Sebastião, o artesanato é uma tradição que se perpetua no Ateliê Nicinho, focado na produção de peças de madeira inspiradas na cultura caiçara. Fundado pelo Mestre Nicinho, atualmente com 81 anos, o ateliê é gerido principalmente por seu filho, Lindomar dos Santos, de 57 anos, que aprendeu a arte desde a infância e transformou a loja familiar em um espaço cultural vibrante.

“Hoje temos meu pai, que é o mestre e me ensinou. Minha irmã ajuda na pintura, meu filho também colabora e nossa família toda acaba se envolvendo. Além disso, parceiros que colaboram com nosso espaço contribuíram para que o ateliê se torne um ponto de referência na cultura caiçara em São Sebastião”, explica Lindomar.

“Nossa loja também é um espaço de vivência. Queremos consolidar essa ideia pois hoje somos vistos como mestres da cultura. Além das oficinas, recebemos escolas e promovemos atividades para que as crianças conheçam o artesanato, aprendam e levem uma lembrança”, destaca.

No interior, em Guapiara, Alice de Oliveira, mestra artesã de 58 anos, carrega sua herança familiar em seu trabalho. Filha de artesãos, desde pequena aprendeu a trabalhar com fibras naturais, acompanhando seu pai que produzia peças de bambu e sua mãe que trabalhava com palha. Após um período distante do artesanato, Alice voltou à atividade em 2005, quando foi convidada a ensinar um grupo de mulheres a trabalhar com palha de milho. Naquela época, ela conciliava o artesanato com um trabalho intenso na roça.

“O artesanato representa uma oportunidade de trabalho, de conhecer pessoas, viajar e fazer da minha arte uma profissão. Hoje estou aposentada, mas antes era o artesanato que sustentava minha vida. Então, para mim, ele é a chance de transformar a habilidade em profissão”, afirma.

Uma das matérias-primas que utiliza é a palha de milho colorida, proveniente de variedades crioulas cultivadas por sua família, mas que acabaram se perdendo. Anos depois, conseguiu retomar esse cultivo ao encontrar um agricultor que ainda preservava uma dessas variedades.

“Quando consegui recuperar essas plantas, foi como trazer de volta parte da nossa história. Cuidamos desse milho com muito carinho, preservando as sementes e garantindo sua continuidade. Para mim, a arte também é um meio de preservar a vida, nossa história e nossa cultura”, conclui.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br/empreendedorismo-do-litoral-ao-interior-artesanato-e-reconhecido-como-atividade-de-destaque-em-sao-paulo/

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