A obesidade é classificada pela ciência como uma doença crônica complexa e inflamatória, afetando praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo humano. O acúmulo excessivo de gordura visceral, que se deposita profundamente ao redor de órgãos vitais no abdômen, gera cascatas inflamatórias e desequilíbrios hormonais e metabólicos, resultando no aumento da resistência à insulina e sobrecarga física e cardiovascular.

Segundo as nutricionistas Maria Clara Sinieghi (especialista em nutrição esportiva e estética) e Nicolle Albanezi (especialista em nutrição de precisão e genômica nutricional), a obesidade atua de forma sistêmica e silenciosa.

Entre as principais patologias associadas a esse quadro estão:

É crucial buscar suporte profissional não apenas após o diagnóstico de comorbidades graves. Sinais precoces como ganho de peso progressivo, oscilações bruscas nos mecanismos de fome e saciedade, episódios de compulsão alimentar, fadiga crônica inexplicável e noites mal dormidas exigem investigação detalhada.

“Não se deve esperar o surgimento de hipertensão arterial, diabetes ou alterações graves em exames laboratoriais para procurar orientação especializada. Aqueles que passam anos alternando ciclos de emagrecimento e reganho de peso precisam entender as causas raízes que estão impedindo o organismo de emagrecer, ao invés de simplesmente seguir mais uma dieta restritiva arbitrária”, explica Nicolle Albanezi, que também colabora com o Santa Portal.

Embora a predisposição genética influencie o metabolismo, ela não determina o futuro de forma isolada. A genética interage diretamente com o ambiente, a qualidade do sono, o manejo do estresse, a falta de atividade física e os hábitos alimentares consolidados.

A prevenção pode ser iniciada ainda durante a gestação.

“Uma gestante ativa, com uma rotina equilibrada, boa hidratação e sono reparador consegue reduzir de forma significativa a suscetibilidade do bebê ao desenvolvimento de obesidade no futuro”, destaca Maria Clara Sinieghi.

Em vez de se focar em dietas rigorosas, a recomendação central é baseada nas diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira: priorizar a chamada comida de verdade, alimentos in natura ou minimamente processados, e evitar o consumo excessivo de produtos ultraprocessados.

As dietas que prometem perda drástica de peso em curto período são desaconselhadas pelas especialistas. Ao impor severas restrições calóricas, essas abordagens favorecem a queima de massa muscular (um tecido metabolicamente ativo essencial), provocam deficiências nutricionais agudas e intensificam a compulsão alimentar de rebote.

“Quanto mais extrema a privação imposta ao corpo, mais intensos se tornam os sinais biológicos de fome e o desejo por alimentos hiperpalatáveis. Isso compromete a continuidade do processo e alimenta o efeito sanfona. Uma abordagem mais eficiente consiste em construir um déficit calórico planejado que favoreça a queima de gordura, preserve a massa muscular e possa ser mantido de forma tranquila ao longo do tempo”, adverte Maria Clara.

Para aqueles que desejam iniciar o processo de emagrecimento, o primeiro passo é evitar tentativas de mudar toda a rotina de uma vez. Maria Clara recomenda estabelecer apenas uma ou duas metas viáveis para incorporar gradualmente, como aumentar a ingestão de água ou caminhar durante meia hora.

As profissionais enfatizam que a dificuldade para emagrecer não é uma questão de fraqueza de caráter.

“Obesidade não é falta de força de vontade. É uma condição crônica multifatorial e complexa. Emagrecer não se resume a comer menos; o planejamento nutricional deve respeitar a realidade, as limitações do dia a dia e a história de vida de cada pessoa. Ninguém precisa enfrentar esse processo sem um acompanhamento técnico individualizado”, finaliza Nicolle.

Fonte: https://santaportal.com.br/saude/conheca-os-problemas-e-as-dificuldades-da-obesidade-a-longo-prazo/

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