A Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) registra cerca de 70 mil internações por queimaduras anualmente na saúde pública brasileira O Hospital Geral de Vila Penteado, referência no atendimento a pacientes queimados na zona norte de São Paulo e vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), utiliza pele doada para tratamento de queimaduras, ajudando na proteção das áreas afetadas e na recuperação de casos graves. Neste Dia Nacional do Doador de Órgãos, celebrado no dia 27 de setembro, a unidade ressalta a necessidade de difundir a informação sobre a doação de tecidos e a importância de discutir essa decisão em família.

Até agosto de 2026, o Estado de São Paulo registrou 700 doadores e 6.099 captações de órgãos e córneas segundo a Central de Transplantes do Estado. Em 2025, foram realizados 8.875 transplantes em território paulista, marcando um crescimento de 6,8% em relação a 2024, que contou com 8.311 procedimentos.

Além dos órgãos, tecidos como pele e córneas podem ser doados e beneficiar diversos pacientes. No caso da pele, esse tecido desempenha um papel importante no tratamento de queimaduras extensas, funcionando como uma cobertura temporária para as áreas lesionadas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), aproximadamente 70 mil internações por queimaduras ocorrem anualmente na rede pública de saúde no Brasil. Esses números evidenciam a magnitude do problema e a urgência em aumentar não apenas as campanhas de prevenção, mas também os recursos para tratamento de casos mais graves.

A perda da pele em pacientes com grandes áreas afetadas compromete uma das principais defesas do organismo, elevando o risco de infecções, perda de líquidos e outras complicações. Nesses cenários, a doação de pele pode ser utilizada para proteger temporariamente as áreas prejudicadas, enquanto o paciente avança nas etapas de tratamento.

Apesar da relevância dessa doação, a doação de pele ainda enfrenta barreiras. Muitas recusas estão ligadas à falta de informação sobre o processo de doação de tecidos e os procedimentos que ocorrem após a autorização familiar.

David Ribeiro, coordenador da Unidade de Queimados do Hospital Geral de Vila Penteado, destaca que aumentar o diálogo sobre a doação é crucial para dissipar dúvidas, permitindo que as famílias façam escolhas informadas. “Ainda há muito desconhecimento acerca da doação de pele. Muitas pessoas não sabem que esse tecido pode ser usado no tratamento de pacientes com queimaduras e que existem protocolos rigorosos em todo o processo,” explica Ribeiro.

O médico ressalta que a pele possui funções essenciais, como a proteção contra agentes externos e a regulação da hidratação e da temperatura corporal. Quando grandes áreas são atingidas, a perda dessa proteção demanda cuidados especializados e uma abordagem adequada para a cobertura das lesões.

No Brasil, a doação de órgãos após a morte requer a autorização familiar. Por isso, a SES-SP recomenda que aqueles que pretendem ser doadores conversem sobre essa decisão com seus familiares enquanto estão vivos. Declarar essa intenção pode facilitar a autorização quando necessário.

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