Panificadoras nas comemorações do Dia Mundial do Pão. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo O pão é um alimento fundamental na rotina dos brasileiros, presente em momentos como café da manhã, lanche da tarde e durante um café entre amigos. Em São Paulo, os estabelecimentos de panificação são affectionately chamados de “padocas”, refletindo a ligação dos moradores com esses locais. Mais do que simples pontos de venda, as padarias são espaços de convivência e fazem parte da identidade cultural da cidade.

No dia 16 de outubro, celebra-se o Dia Mundial do Pão, que reconhece tanto o alimento quanto o trabalho dos padeiros. Instituída pela União Internacional de Padeiros e Confeiteiros (UIBC), essa data coincide com o Dia Mundial da Alimentação. Em São Paulo, dados significativos evidenciam a importância dessa festividade: o Sampapão, que representa o Sindicato dos Industriais de Panificação e Confeiteiros de São Paulo (Sindipan) e a AIPAN, abrange cerca de 6 mil indústrias de panificação e 12 mil empresários em 31 municípios do estado. Em levantamento de 2026, a capital paulista consumiu aproximadamente 20 milhões de pães franceses diariamente em 2025.

O consumo de pão movimenta uma cadeia produtiva essencial para a economia. Um estudo da Euromonitor International, encomendado pela FIPAN (Feira Internacional de Panificação, Confeitaria e Food Business), revela que o Brasil conta com 70.235 padarias independentes, superando os Estados Unidos (30.379) e o Reino Unido (13.745). O setor é responsável por cerca de 2,4 bilhões de compras anuais, com cada adulto brasileiro frequentando padarias, em média, 14 vezes por ano. O mercado de panificação movimenta R$ 178,1 bilhões, o que representa 1,5% do PIB, e a região Sudeste abriga 46% dessas padarias.

“A gastronomia é um caminho essencial para descobrir São Paulo, sua cultura e tradições. As padarias são um componente crítico dessa identidade, possuindo o potencial de atrair turistas, estimular a economia local e ampliar as ofertas turísticas do estado. Assim, a Setur-SP dissemina a diversidade da panificação paulista mediante o Guia Turístico das Padarias, integrando a gastronomia ao turismo e à promoção dos municípios do estado”, afirma Ana Biselli, Secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.

Atualmente, mais de 17 mil padarias estão espalhadas pelo estado de São Paulo. Na capital, é possível encontrar desde padarias tradicionais que sobreviveram por gerações até aquelas especializadas em fermentação natural, além de estabelecimentos que operam ininterruptamente. Essa diversidade explica por que as “padocas” têm um papel especial na vida dos paulistanos.

“O pão é essencial na mesa do paulistano diariamente, e a padaria representa um dos lugares mais democráticos da cidade, onde trabalhadores, estudantes, famílias e turistas se encontram. As padarias integram a identidade de São Paulo, e o Turismo Gastronômico que a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de SP (Setur-SP) promove através do Guia Turístico das Padarias permite contar essa história de maneira envolvente para os visitantes”, afirma Rui Gonçalves, presidente do Sampapão.

Além do pão francês recém-saído do forno, as padarias de São Paulo oferecem histórias únicas, receitas exclusivas e experiências que vão de um café rápido a refeições completas. Algumas delas se tornaram verdadeiros pontos turísticos da gastronomia local.

Santa Tereza: tradição desde 1872
Situada na Praça João Mendes, perto da Praça da Sé, a Santa Tereza Pães e Doces é reconhecida como a padaria mais antiga de São Paulo, funcionando desde 1872. O local preserva uma parte da história gastronômica da cidade, começando na antiga Rua Santa Tereza, que inspirou seu nome. Entre suas especialidades, destaca-se a famosa coxa-creme, que compete em popularidade com o café e outros itens tradicionais.

Bella Paulista: a cidade que nunca para
A Bella Paulista acompanha o ritmo incessante da cidade, estando aberta 24 horas por dia. O local combina padaria, restaurante, laticínios e adega, servindo desde café da manhã até refeições durante a madrugada. Com mais de 20 anos de história, foi reconhecida como “Padaria que é a cara de São Paulo” no Prêmio Paladar 2025, na categoria de Honra ao Mérito. A operação contínua e a diversidade de produtos enriquecem a experiência de um dos endereços mais distintos da cena gastronômica paulistana.

Mediterrain: pães artesanais e fermentação natural
A Padaria Artesanal Mediterrain, situada no Campo Belo, se destaca pela utilização de fermentação natural, combinando farinha francesa e ingredientes de alta qualidade. Seu cardápio inclui bagels, croissants, focaccias e pão de azeitona, além de cafés orgânicos, sucos, bolos e sanduíches exclusivos, como o Canoa Medi. O ambiente acolhedor propicia momentos agradáveis para desfrutar do café da manhã ou lanchar ao longo do dia.

Casa Nápoles: diversidade na Vila Formosa
Localizada na Vila Formosa, na zona leste, a Casa Nápoles combina o conceito de padaria com opções para todas as refeições. Inaugurada em 2018, oferece uma variedade de pães, salgados, doces e bolos, além de bufê para café da manhã, almoço, sopas, caldos e pizzas à noite. Também aceitam encomendas para lanches de metro e baguetes recheadas. O espaço conta com acessibilidade para cadeirantes e serviço de mesa, funcionando diariamente para quem busca praticidade com qualidade.

Cepam: milhares de opções com produção em grande escala
Localizada na Vila Prudente, a Cepam impressiona pela amplitude e variedade, com 2.500 m², capacidade para 510 pessoas e mais de cinco mil itens disponíveis. Produzindo cerca de 12 mil pães franceses diariamente, o cardápio inclui salgados, baguetes de metro, minilanches, tábuas de frios, patês, petiscos, bolos, doces tradicionais e gelados, petit fours e cupcakes. A padaria abre todos os dias e possui quatro estacionamentos próprios.

A história do pão no Brasil remonta à chegada dos portugueses, segundo o historiador Augusto Almeida em entrevista à Agência Brasil. A carta de Pero Vaz de Caminha documenta o contato dos indígenas com o pão trazido pelos europeus. Com o tempo, o cultivo de trigo se expandiu, com sementes atribuídas a Martim Afonso de Souza, donatário da Capitania de São Vicente. Séculos depois, o pão ainda é uma constante na vida brasileira, mas agora em versões, sabores e formas de consumo bastante diversificadas.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br/turismo/dia-mundial-do-pao-turismo/

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