A defesa do Sargento Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho anunciou que recorrerá da decisão do Tribunal do Júri, que reconheceu os crimes cometidos contra sua esposa, Amanda Rodrigues, e a filha do casal, em Santos, ocorridos no ano passado. O sargento foi sentenciado a 123 anos e quatro meses de prisão após um julgamento que teve seu desfecho nesta quinta-feira (15).
O advogado João Carlos Campanini declarou que buscará a anulação do julgamento para que o réu tenha uma nova oportunidade de apresentar a tese de que não possuía plena capacidade de compreender seus atos no momento do crime.
“A defesa, de certa forma, esperava que ele fosse condenado, caso os jurados realizassem uma análise direta do ocorrido. Vamos recorrer para que o júri seja anulado, visando garantir que ele tenha uma nova chance de comprovar que não estava com suas faculdades mentais íntegra e que não pretendia esse desfecho. Ele não agiu com vontade livre e consciente, não teve dolo em sua conduta”, afirmou o advogado.
Por sua vez, o promotor de Justiça Fábio Perez Fernandez disse que o resultado do julgamento atendeu completamente o que a acusação sustentou durante a instrução processual. “A resposta que esperávamos foi 100% acolhida, os jurados seguiram todos os nossos argumentos, reconhecendo a prática dos dois crimes contra a mãe e a tentativa contra a filha, juntamente com todas as qualificadoras”, declarou.
A principal tese apresentada pela defesa foi a de que Samir teria sido intoxicado por sua esposa. De acordo com os advogados, Amanda administrava, sem o conhecimento dele, um medicamento calmante que afeta diretamente o sistema nervoso. A defesa argumentou que, no dia do crime, ele teria agido de maneira inconsciente após receber a medicação.
Ainda conforme a versão apresentada, Amanda teria contado a uma testemunha que medicava o marido na tentativa de controlar sua agressividade. Durante seu depoimento, Samir afirmou não se recordar dos eventos e mencionou que recuperou a consciência apenas depois de ser contido pela polícia.
A decisão dos jurados trouxe alívio para amigos e familiares das vítimas. Janaina Beierle Rollo, uma amiga de Amanda, expressou que considera a sentença uma resposta à seriedade do caso. “A sensação é de que a Justiça foi feita, e que não adianta mentir para tentar inocentar um crime brutal. Isso traz alívio para mim e para a família. Eu quero que ele pague por tudo o que fez”, afirmou.
Davi Fernandes Costa, filho de Samir e Amanda, também comentou sobre a conclusão do julgamento. “Estou mais tranquilo em saber que ele será responsabilizado de alguma forma e que não retornará para nos ameaçar, a minha irmã e minha família”, disse.
Samir e Amanda estavam juntos há mais de dez anos e tinham dois filhos. No dia 7 de maio de 2025, o sargento foi até uma clínica médica localizada no Canal 1 em Santos, onde a esposa e a filha aguardavam atendimento.
Segundo a acusação, após ameaçar Amanda de morte, ele entrou na sala onde as duas se encontravam e disparou contra elas. A mulher foi atingida por balas e sofreu 51 golpes de faca, não resistindo aos ferimentos. A filha foi baleada nas pernas e em um dos braços, necessitando de cirurgia.
O Ministério Público sustentou que o crime contra Amanda foi perpetrado no contexto de violência doméstica e familiar, utilizando meios cruéis, dissimulados, e um recurso que dificultou a defesa da vítima, além do emprego de arma de fogo de uso restrito. Em relação à filha, a acusação foi por tentativa de homicídio qualificada, incluindo qualificadoras que envolvem perigo comum, dissimulação, dificuldade de defesa e uso de arma de fogo de uso restrito.
Fonte: https://santaportal.com.br/policia/defesa-diz-que-vai-recorrer-apos-sargento-ser-condenado-por-feminicidio/