Foto: Divulgação/Governo de São Paulo É comum ter dúvidas sobre a diferença entre alimentos processados e industrializados. Compreender a classificação dos alimentos segundo seu grau e propósito de processamento é fundamental para fazer escolhas mais saudáveis.

A nutricionista Nadine Marques, doutora em Saúde Pública e pesquisadora da Cátedra Josué de Castro da Faculdade de Saúde Pública da USP, destaca que “um alimento ultraprocessado é distinto de um alimento industrializado”. Segundo ela, “os alimentos podem ser in natura, que são consumidos quase na forma original, ou classificados por diferentes níveis de processamento, como minimamente processados, ingredientes culinários, alimentos processados e ultraprocessados”, explica.

Por exemplo, “o grão de arroz quando limpo, seco e descascado passa por um processamento mínimo. Em contrapartida, fazer queijo envolve técnicas milenares que alteram as características do leite, conferindo-lhe mais durabilidade e sabor. Isso ilustra como a industrialização pode trazer segurança e diversidade à alimentação”, complementa.

Nadine ainda enfatiza que, nesses casos, é relativamente fácil identificar a origem do alimento, uma vez que passou por poucas transformações. “Essa realidade muda drasticamente quando se utilizam apenas partes de alimentos, como farinhas e óleos vegetais, muitas vezes combinados com aditivos que modificam a cor, sabor e textura. Esses produtos, classificados como ultraprocessados, alteram significativamente os alimentos originais e não podem ser facilmente reproduzidos em uma cozinha comum, embora proporcionem altos lucros para a indústria e longa durabilidade”, ressalta.

De acordo com a pesquisadora, a categorização não distingue “ultraprocessados do bem”, pois considera a composição nutricional, além da extensão e finalidade do processamento. “A Classificação Nova leva em conta tanto o grau de processamento quanto o seu propósito. Se o produto resulta da fragmentação de alimentos para criar ingredientes para formulações industriais ou se é enriquecido com aditivos para melhorar sua durabilidade e palatabilidade, ele se encaixa na lógica dos ultraprocessados”, afirma Nadine.

“A ideia de ultraprocessados do bem geralmente se limita à análise da composição nutricional. Mesmo que a composição final pareça aceitável, é preciso ter uma visão mais ampla e avaliar outros fatores além dos nutrientes”, afirma.

A presença de aditivos e o armazenamento em embalagens plásticas por longos períodos, por exemplo, têm demonstrado um impacto negativo à saúde, contribuindo para o aumento da obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, certos tipos de câncer e problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, de acordo com estudos recentes.

Para consumidores que desejam evitar ultraprocessados, Nadine recomenda observar atentamente os rótulos. “Não se deixe levar apenas pelas alegações na frente da embalagem, pois frequentemente, produtos que têm uma lupa como destaque podem ser ultraprocessados. A prioridade é analisar a lista de ingredientes. Se ela for longa e incluir como primeiros elementos partes de alimentos ou ingredientes culinários, como amido, óleo e açúcar, seguidos por aditivos de nomes complexos como aromatizantes, realçadores de sabor, corantes, espessantes e emulsificantes, é muito provável que se trate de um ultraprocessado. Nesse caso, o ideal é evitar esse alimento”, alerta a especialista.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br/como-diferenciar-entre-alimentos-ultraprocessados-e-alimentos-industrializados/

Sobre Equipe

Equipe editorial do Repórter São Paulo.

Ver todas as matérias