Criada em 2009 pelo livreiro e editor Zé Luiz Tahan, fundador da tradicional livraria de rua Realejo Livros, no Gonzaga, em Santos, a Tarrafa Literária atinge a maioridade em 2026. Em sua 18ª edição, o festival acontece de quarta (28) a domingo (1º), reunindo escritores, jornalistas, poetas, filósofos e pensadores em debates plurais espalhados por diferentes pontos do município.

Desde o início, a intenção foi descentralizar os grandes debates intelectuais da capital e consolidar Santos como um polo de circulação de ideias.

“Santos tem essa vocação natural de porto e encontro. Quisemos criar uma oportunidade concreta para que os moradores tenham contato direto com a produção literária nacional e internacional, promovendo vivências culturais gratuitas que muitas vezes ficavam restritas a poucas pessoas.”

Em uma era dominada pelo imediatismo dos algoritmos e pelo consumo acelerado de conteúdos em redes sociais, Tahan enxerga a literatura como ferramenta indispensável para frear a desatenção, sobretudo entre crianças e jovens.

“Os livros permitem que os jovens saiam da dispersão, desenvolvam foco, concentração e busquem profundidade no aprendizado. Não se trata de combater as telas, elas são úteis e inevitáveis na vida contemporânea, mas de mostrar que a juventude pode e deve ir além delas.”

Para democratizar esse acesso, a gratuidade permanece como pilar inegociável do festival, permitindo que públicos de diferentes trajetórias sociais ocupem as mesmas plateias. Para viabilizar financeiramente as próximas edições, a organização projeta lançar a plataforma colaborativa “Amigos da Tarrafa”, onde os leitores poderão enviar avaliações e fazer contribuições financeiras espontâneas para a manutenção da iniciativa.

Um dos traços mais marcantes da curadoria deste ano, planejada ao longo de 12 meses, é o protagonismo das mulheres, que compõem o maior contingente entre as personalidades convidadas para os debates temáticos.

Ao olhar para a trajetória de quase duas décadas, Tahan pontua a relevância cívica do encontro literário.

“Vivemos um momento histórico decisivo, com acontecimentos que moldam o futuro coletivo do país. A leitura nos dá ferramentas críticas para interpretar o presente e formular opiniões com autonomia. Prestigiar o festival e apoiar as livrarias de rua independentes é manter viva a alma cultural da cidade.”

A abertura do evento será nesta quarta (28), no teatro do Sesc Santos. O homenageado desta edição é José Miguel Wisnik, que fará uma apresentação ao lado de Arthur Nestrovski, Swami Jr. e Marina Wisnik, às 19h. O Grupo Vocal Bel Canto também se apresenta durante a cerimônia.

Na quinta (29), às 10h, no Colégio do Carmo, uma Tarrafinha, programação destinada ao público infantojuvenil, especial será apresentada por Ana de Queiroz com base no livro Mademoiselle Enigme, sob mediação de Victor Valente e Zé Luiz Tahan.

Já no Teatro Guarany, dando continuidade às atividades destinadas às crianças, às 13h, Edmilson Prado e Karina Ferro conversam em mais uma Tarrafinha. Às 14h30, João Paulo Charleaux e Zé Godoy debaterão Guerras e autoritarismo. Na sequência, às 17h, em A escrita sou eu, o lugar do escritor, Eliana Alves Cruz e Ricardo Terto discutirão escrita e a consciência social com mediação de Camila Angela. Às 19h30, Camila Appel e Natália Timerman abordarão luto, ficção e psicanálise em Antes do fim, o agora, com mediação de Lindener Pareto. Para encerrar o dia, o Grupo Vocal Bel Canto fará mais uma apresentação musical, às 21h, no palco do Teatro Guarany.

A programação seguirá na sexta (30) com uma Tarrafa especial na Associação Comercial de Santos (ACS), às 10h, com palestra de Adriana Negreiros e mediação de Zé Luiz Tahan, idealizador do evento. Em seguida, às 10h30, o Teatro Guarany terá uma nova sessão infantojuvenil de Mademoiselle Enigme com Ana de Queiroz e Victor Valente. Às 13h, Edmilson e Karina Prado participarão da Tarrafinha com mediação de Bruno Rodrigues.

Às 14h30, Mar Becker e Ryane Leão conversarão sobre Fome de poesia, o fazer poético, com mediação de Victor Valente, enquanto às 17h, Marcia Tiburi e Eugênio Bucci debaterão O Desafio do Pop: comunicação fora do meio acadêmico, mediados por Tati Vasconcellos. Para fechar a data, às 19h30, Filipa Fonseca Silva e Reinaldo Moraes abordarão erotismo em Muito prazer: o desejo no romance, mediados por Matthew Shirts.

No sábado (31), as atividades começarão às 14h30 com Paulliny Tort e Silvana Tavano na mesa O romance atemporal, sob mediação de Iarima Redu. Às 17h, Daniel Furlan e Gustavo Vilela discutirão humor, jornalismo e futebol em Sem falhas de cobertura?, com mediação de Cassiano Elek Machado.

Andréa Del Fuego e Clóvis de Barros Filho, às 19h30, encerrarão o dia debatendo O nascimento das ideias: repertório ou inspiração? sob a mediação de Gisela Monteiro.

O último dia do festival, domingo (1º), terá início, às 14h30, com a mesa A Vida dos Outros:atécnica das biografias, reunindo Adriana Negreiros e Fernando Morais sob mediação de Jorge Oliveira. Às 17h, Bethânia Pires Amaro e Carla Madeira debatem Um rio marinho, mediada por Ana Lima Cecílio.

O encerramento será às 19h30, com Felipe Charbel e Rui Couceiro, que refletirão sobre a relação entre escritor e leitor na mesa O escritor e o leitor, ou seria o contrário?, com mediação de Manuel da Costa Pinto.

Após as atividades em Santos, a Tarrafa sobe a Serra e realiza, na capital paulista, o evento de encerramento da edição, no dia 3 de novembro, às 18h. O palco desse encontro será o Consulado Geral de Portugal em São Paulo e o convidado será o editor e escritor português, Rui Couceiro, com mediaçãode José Luiz Tahan.

Serviço

18ª Tarrafa Literária

Fonte: https://santaportal.com.br/1077-fm/tarrafa-literaria-chega-a-18a-edicao-e-reforca-o-papel-da-literatura-na-formacao-de-leitores-em-santos/

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