O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) 192 em Santos, no litoral de São Paulo, registrou um aumento de 12% no número de chamados classificados inicialmente como de baixa prioridade entre janeiro e agosto deste ano. Foram 13.369 ocorrências, comparadas a 11.854 no mesmo período de 2025.
Essa classificação é baseada nas informações fornecidas pelo paciente ou acompanhante durante a ligação, e indica situações que não representam risco iminente de morte ou comprometimento de funções vitais. Exemplos incluem dores de cabeça, dores abdominais, vômitos e diarreia, que podem ser avaliados nas policlínicas municipais, dependendo do quadro apresentado.
De acordo com o secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, o uso inadequado do serviço pode afetar a capacidade de atendimento das equipes. “Os chamados de baixa prioridade demandam recursos que poderiam estar disponíveis para ocorrências de maior gravidade, comprometendo a capacidade operacional do serviço”, afirma.
A dor de cabeça é a principal ocorrência de baixa prioridade registrada pela Central 192, tendo aumentado também no período. Foram 9.227 chamados entre janeiro e agosto de 2023, em comparação com 8.073 nos primeiros oito meses de 2025, apresentando um crescimento de 14%.
As dores abdominais ocupam o segundo lugar entre as queixas, com 3.291 chamados registrados neste ano, em comparação a 2.943 no mesmo período do ano passado, resultando em um crescimento de 11%.
Em contrapartida, os trotes apresentaram uma significativa queda de 24% em Santos, totalizando 2.633 registros entre janeiro e agosto deste ano, em comparação a 3.486 no mesmo período de 2025.
Marcelo Ismail, coordenador do Samu Santos, destaca que nem sempre é possível identificar uma falsa ocorrência durante a ligação. Isso pode resultar na movimentação de uma equipe até o local informado, antes de se constatar a inexistência de uma emergência.
“Esse deslocamento desnecessário mantém ambulâncias e profissionais ocupados, enquanto outros necessitam de atendimento de emergência”, ressalta.
Ao ligar para o 192, o munícipe é atendido inicialmente por um técnico auxiliar de regulação médica, que coleta informações sobre o paciente e o local da ocorrência. Em seguida, a ligação é direcionada a um médico regulador, que avalia a situação e define a prioridade do atendimento.
O Samu Santos utiliza cinco níveis de classificação:
A classificação pode ser alterada com base nas informações fornecidas durante a ligação e na avaliação médica. O serviço deve ser acionado pelo 192 principalmente em situações de urgência ou emergência, como parada cardiorrespiratória, engasgo grave, insuficiência respiratória, hemorragias importantes, traumas graves, convulsões prolongadas, suspeita de AVC, dor torácica intensa, afogamentos com comprometimento respiratório e queimaduras extensas.
Outras situações que justificam o acionamento incluem crises asmáticas moderadas ou graves, fraturas expostas, hipoglicemia sintomática, intoxicações com alteração clínica relevante e sangramentos importantes em gestantes.
Por outro lado, queixas leves e estáveis, sintomas antigos sem piora, pequenas escoriações, contusões leves, dor musculoesquelética sem sinais de gravidade e dor de cabeça sem sintomas alarmantes estão entre os casos classificados como de menor prioridade.
Para situações sem risco imediato, o atendimento pode ocorrer em um prazo maior, de acordo com a disponibilidade das equipes e a classificação realizada pela Central 192.
O Samu Santos atualmente opera com 15 ambulâncias, distribuídas entre as modalidades de suporte básico, intermediário e avançado de vida, além de contar com cinco motolâncias e três quadriciclos. Os veículos estão alocados em dez bases descentralizadas pelo município.
Para minimizar o número de acionamentos inadequados, o Samu realiza ações de orientação e conscientização em escolas, no Centro de Aprendizagem e Mobilização Profissional e Social (Camps), e em parceria com a Guarda Civil Municipal (GCM).
Fonte: https://santaportal.com.br/baixada/chamados-de-baixa-prioridade-ao-samu-crescem-12-em-santos-dor-de-cabeca-lidera/