A família de Kellen Rodrigues Silveira, de 43 anos, está questionando a qualidade do atendimento que recebeu no Pronto-Socorro Central de São Vicente, localizado no litoral de São Paulo. Esta preocupação surgiu após Kellen ser transferida para a Santa Casa de Santos, onde faleceu na noite de sexta-feira (11). O incidente começou na manhã de quinta-feira (10), quando Kellen teve um mal-estar em sua residência, caiu de seu próprio peso e precisou ser socorrida pelo Samu, que foi acionado por volta das 7h25.
Segundo o boletim de ocorrência, Kellen estava em sua casa na Vila Margarida, acompanhada de seu ex-companheiro, quando começou a passar mal e caiu. Um de seus filhos a encontrou no chão e pediu a ajuda de sua irmã. Após a constatação da situação, a família acionou o Samu, que a levou ao Pronto-Socorro Central, localizado no Parque Bitaru.
No depoimento à Polícia Civil, o irmão de Kellen afirmou que um médico no pronto-socorro diagnosticou a paciente com pressão alta e mal-estar, mas apenas prescreveu soro com medicamento antes de liberá-la.
A filha, que deseja manter sua identidade em sigilo, discorda da forma como o atendimento foi realizado. Em um relato enviado ao Santa Portal, ela contou que a mãe começou a gritar enquanto recebia o soro, reclamando de intensa dor de cabeça. Quando saiu para buscar ajuda, ao voltar, encontrou Kellen caída no chão.
“Ela estava tomando soro e começou a gritar, dizendo que estava com dor de cabeça. Quando fui sair da sala para procurar ajuda, voltei e já a encontrei no chão. A enfermeira ainda comentou: ‘Ela está se jogando no chão, por isso a dor de cabeça’”, recordou a filha.
Além disso, a filha mencionou dificuldades para a equipe de saúde em inserir um novo acesso para o soro após a queda da mãe.
“Depois que a enfermeira aplicou, ela estourou a veia da minha mãe enquanto tentava colocar o acesso em outra, mas não conseguiu”, relatou.
Ela ainda informou à equipe que Kellen havia vomitado sangue no momento da queda, e acredita que exames de imagem deveriam ter sido realizados antes da liberação da paciente.
Por outro lado, a Prefeitura de São Vicente apresentou uma versão distinta sobre o atendimento. Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (Sesau) destacou que, conforme o prontuário, Kellen estava consciente e orientada durante a avaliação médica e não apresentava alterações neurológicas durante o exame clínico.
Ainda segundo a Secretaria, não foram observados sinais de rigidez na nuca, alterações nas pupilas, ou perda de força.
Após a avaliação, a paciente foi encaminhada à sala de medicação, e a administração municipal afirmou que estava prevista uma nova avaliação médica após a administração do medicamento.
É aqui que as versões da família e da Prefeitura entram em conflito. Enquanto os familiares afirmam que Kellen foi liberada após receber a medicação, a Prefeitura insiste que a paciente deveria retornar para uma reavaliação, mas não o fez, de acordo com o prontuário e a apuração da equipe.
Após o atendimento no pronto-socorro, a situação de Kellen não melhorou. Conforme o relato do irmão à Polícia Civil, devido à piora do estado de saúde, os filhos decidiram levá-la à UPA da Zona Leste, em Santos.
No local, um médico constatou a gravidade do quadro clínico e encaminhou Kellen imediatamente para a Santa Casa de Santos.
Infelizmente, Kellen faleceu por volta das 19h25 de sexta-feira (11), na Santa Casa. Segundo o registro policial, o médico que constatou o óbito levantou a hipótese de um acidente vascular cerebral (AVC).
O boletim de ocorrência também menciona que os órgãos de Kellen foram doados, cumprindo um desejo que ela havia manifestado. O sepultamento ocorreu na tarde de segunda-feira (14), no Cemitério da Areia Branca, situado na Zona Noroeste de Santos.
O irmão de Kellen informou à polícia que ela fazia tratamento para pressão alta e estava em processo de separação. Ele relatou que a auxiliar de limpeza passava a maior parte do tempo na casa de uma irmã, na Ponta da Praia, em Santos, e visitava ocasionalmente a residência onde morava com o ex-companheiro para ver os filhos.
Este caso foi registrado pela Polícia Civil como uma morte suspeita e encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos.
Fonte: https://santaportal.com.br/baixada/auxiliar-de-limpeza-morre-apos-queda-e-familia-questiona-atendimento-em-sao-vicente/