Professor Adelson, homenageado entre os 166 professores da região de São José do Rio Preto. Foto: Divulgação/Governo de SP. O trabalho de Adelson Green Rodrigues começou cedo, quando ele ajudava na chácara da família em Novo Horizonte, localizando-se a 399 quilômetros da capital paulista. Atualmente, Adelson é um dos mil professores Nota 1.000 da rede estadual, uma premiação nova da Secretaria da Educação (Seduc-SP) para reconhecer os docentes que se destacam pela frequência, resultados em avaliações e desempenho dos alunos.
“Nosso sustento vinha dali. Eu não tinha dinheiro para comprar um saco de pipoca no fim de semana”, recorda Adelson, que viu sua vida mudar com a educação. Formado em História, Filosofia e Pedagogia, ele se dedica a abrir horizontes para seus alunos, o que lhe traz grande alegria: “A maior felicidade é encontrar um ex-aluno na universidade” – e essa dedicação foi recente e reconhecida.
Aos 64 anos, com 28 deles dedicados ao ensino na Escola Estadual Pedro Brandão dos Reis, em José Bonifácio (a 481 quilômetros da capital), Adelson não pensa em se afastar tão cedo: “Em seis anos, vou avaliar isso, mas depende das minhas condições físicas. Acredito que o conhecimento gera oportunidades e melhores condições econômicas”, afirma o professor, que compartilha suas experiências de vida para motivar os alunos.
Aposentado como professor de História, ele continua a lecionar Filosofia e Sociologia, áreas em que possui mestrado pela Unesp, estando bem acima da média de idade do corpo docente do estado, de 47,3 anos para mulheres e 45,6 anos para homens. Além disso, faz parte dos 6.492 docentes aposentados que permanecem ativos entre os 200 mil profissionais da educação no estado.
“Ensinar na rede estadual é a realização de um sonho. Lecionei mais de 20 anos na rede privada, mas é na pública que realmente me encontro”, conta Adelson, que despertou seu interesse pelo magistério ao trabalhar na delegacia de ensino em Novo Horizonte. “Hoje, tenho certeza de que fiz a escolha certa. Sinto-me realizado quando vejo um aluno da EE Pedro Brandão dos Reis se formando em medicina, outro ingressando na Unesp, outro atuando em uma universidade pública. Amo a escola, meus alunos e o meu trabalho e me sinto pleno como professor de Filosofia e Sociologia, além dos projetos que realizo.”
Os projetos de Adelson incluem cursos focados no combate à violência contra a mulher e nas culturas africanas no Brasil, iniciados durante a Semana da Consciência Negra em 2024. Com esses projetos, ocorreram apresentações de maculelê, carimbó e capoeira na escola e em outras instituições de ensino, incluindo a Unidade Regional de Ensino de José Bonifácio.
Além de desenvolver esses projetos, Adelson ministra 30 aulas por semana, entre regulares de Filosofia e Sociologia e eletivas para vestibular: “A universidade pública deve ser vista como um sonho e um objetivo a ser alcançado. A educação ainda é uma das melhores formas de elevar a qualidade de vida.”
Atuando em uma das unidades do Programa Ensino Integral (PEI) da rede estadual, Adelson faz parte de um sistema que atualmente possui 2.485 unidades com jornadas de sete ou nove horas diárias. Para o próximo ano letivo, a Educação de SP pretende acrescentar mais de 100 mil vagas nesse modelo, que já atende mais de 1 milhão de alunos matriculados.
Atualmente, 33% dos mais de 3 milhões de alunos da rede estadual estão em unidades de tempo integral, superando em oito pontos percentuais a meta nacional de 25% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Em relação a 2022, o número de alunos no modelo de ensino integral aumentou em 19% em 2026.
No primeiro Prêmio Professor Nota 1.000, celebrado na segunda-feira (5), mil professores da rede estadual de ensino foram reconhecidos pelo Governo de São Paulo em função do desempenho dos alunos e da frequência em sala de aula. Essa honraria é a etapa final do Prêmio Professor Nota 10, que cumpriu o propósito de celebrar 25 mil docentes em todas as regiões do estado.
Adelson foi escolhido com outros 166 professores da região de São José do Rio Preto, que é a que mais recebeu homenagens, seguida pela capital e pela Região Metropolitana de São Paulo.
Na seleção, foram levadas em conta as maiores pontuações em critérios como frequência, desempenho e notas dos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), que ocorre anualmente para medir a qualidade do ensino básico. Dos 25 mil docentes premiados no Professor Nota 10, os mil com melhores resultados foram selecionados para o Professor Nota 1.000, recebendo uma medalha do secretário de educação, no evento.
As medalhas do Professor Nota 1.000 foram entregues no início da manhã, e as Unidades Regionais de Ensino celebraram a conquista de seus Professores Nota 10 com troféus em eventos especiais.