Metodologia do Núcleo Ressocializador surpreende familiares dos novos internos

O Núcleo Ressocializador da Capital (NRC) é uma unidade diferenciada, referência em gestão prisional, com baixo índice de reincidência criminal. Com planejamento e dedicação, os agentes penitenciários mantêm o projeto vivo. A metodologia é exclusiva no país. Para ingressar na unidade, o reeducando passa por uma seleção multidisciplinar, onde é verificada a sua aptidão para cumprir com afinco aquilo que prevê a Lei de Execução Penal.

Em setembro, o NRC iniciou a 36ª seleção para receber internos. Ao todo, 50 reeducandos passaram pelas entrevistas. Após uma minuciosa análise feita pelos servidores da Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris), 15 internos foram aprovados e se juntaram aos outros 114 apenados que cumprem pena no local.

Com capacidade para 157 internos, o Núcleo tem índice de reincidência inferior a 5%, abaixo da média nacional, superior a 70%.

A psicóloga da Seris, Luiza Amorim, integra a equipe multidisciplinar da seleção. Ela explica o processo de adaptação dos internos com a rotina do presídio e reitera a importância da presença da família para efetivar a política ressocializadora.

“A seleção é composto por etapas. No primeiro dia, eles são recebidos por uma equipe multidisciplinar. No segundo, há o acolhimento pelas comissões, grupo de reeducandos que explica o funcionamento do projeto e as suas regras. Por fim, há o acolhimento da família para o fortalecimento do vínculo afetivo. Nesse encontro são passadas normas.  Precisamos da parceria com a família para a adaptação dos reeducandos.”, disse.

A assistente social da Seris, Layane Melo, também integra a equipe multidisciplinar. A profissional ressalta o acolhimento familiar para fortalecer os vínculos fragilizados. “Passamos informações sobre o funcionamento da unidade e incentivamos a família para participar desse processo.”, fala.

Olhar diferenciado 

O impacto do modelo diferenciado não é apenas sobre os apenados, mas, também, sobre sua família. Lidiane Miranda é irmã de um dos reeducandos aprovados na última seleção.

“Até escutei falar, mas não acreditava que existia um local como o NRC. Pensei que era igual as outras unidades. Na reunião com os agentes vi que é um presídio diferente. Meu irmão está em um lugar bom e tenho certeza que vai evoluir”, disse.

Sobre a oportunidade, João Paulo Ramalho dos Santos, irmão de Lidiane Miranda, garante que irá aproveitar a oportunidade para melhorar sua vida. “A primeira coisa que notei quando cheguei aqui é que é um ambiente diferente. Quero estudar, fazer cursos profissionalizantes, trabalhar e melhorar a minha vida. Espero sair daqui uma pessoa melhor do que eu entrei, tanto fisicamente, quanto mentalmente; sairei ressocializado”, finaliza.

Ascom – 14/11/2017