Leandro Hassum está de volta como João Ernesto no filme ‘O candidato honesto 2’

Qualquer semelhança não é mera coincidência no filme “O candidato honesto 2”, que traz de volta o aloprado João Ernesto Ribamar (Leandro Hassum) à presidência da República. Cada cena é um verdadeiro flashback — cômico, quando não sarcástico — dos acontecimentos recentes da política brasileira. Após o sucesso de bilheteria do primeiro filme (2014), com mais de 2 milhões de espectadores, a continuação está ainda mais crítica. Após ser condenado a 400 anos de prisão por crimes de corrupção, João só cumpre quatro e é convencido a concorrer novamente ao cargo de chefe de Estado. A perda de peso do ator na vida real (65kg) é justificada na ficção pelos anos em que o personagem passou na cadeia.

— A comédia sempre foi usada para criticar aspectos da sociedade — explica Hassum, sobre sua nova produção, que estreou ontem nos cinemas: — É uma maneira de atingir o público de forma bem-humorada. O filme é, antes de tudo, uma brincadeira, mas, caso provoque uma reflexão, melhor ainda, revela o Extra.

Por meio da zombaria, a história toca na ferida do brasileiro, vítima e cúmplice de uma verdadeira tragicomédia. Mas também há momentos sérios na trama, como quando o protagonista, após meter os pés pelas mãos como mandatário, faz um discurso em que passa a batata quente para os eleitores.

— Uma andorinha só não faz verão, a mudança passa pelo coletivo. Nós temos que mudar o sistema. Se olharmos para o próprio umbigo, o país não irá adiante — opina ele, à espera de que o filme se torne outro grande sucesso de sua estrelada carreira, como o caso da franquia “Até que a sorte nos separe”.

O roteiro do longa não perdoa ninguém nem mesmo o ator. Hassum é alvo de chacotas por parte de João Ernesto, que mete o malho no comediante. As piadas, explica o ator, basearam-se em críticas e comentários que já ouviu e leu sobre seu trabalho e sua aparência:

— A gente tem que saber rir de si mesmo, porque senão fica tudo muito chato.

E João Ernesto vai pendurar as chuteiras como político ou ainda veremos “O candidato honesto 3”?. Nada melhor que o próprio Hassum para responder:

— Acho que ele não volta. Só se, daqui a quatro anos, a gente encontrar um panorama de mais esperança, mais vitórias do que propostas patéticas.

Vida americana

Com residência fixa nos Estados Unidos há mais de dois anos, ao lado da família, Hassum diz que não consegue ficar muito tempo sem matar a saudade do Brasil.

— Fico lá e cá. Nossa mudança não é definitiva. Está sendo bom para os estudos da minha filha e em termos de qualidade de vida para a família. Amo o Rio, mas minha cidade está vivendo um momento muito delicado de segurança — comenta ele, que começa no mês que vem uma turnê de stand-up por algumas cidades norte-americanas e canadenses.

Embora ele esteja longe do país, o público brasileiro terá a chance de vê-lo muito ainda na telona.

— “Chorar de rir” estreia em novembro, “O amor dá trabalho”, em maio do ano que vem. Tem ainda “Coração de leão” e “Simonal” (ambos para 2019), em que faço o Carlos Imperial, e ainda vamos rodar em setembro um filme do Ariano Suassuna — comemora.

31/08/2018