Fé contra as drogas é destaque no programa Página Aberta

A dependência química é um dos maiores problemas do Brasil. Segundo dados da Secretaria Estadual de Prevenção à Violência (SEPREV), em Alagoas, a maioria das vítimas são homens negros de baixa renda e escolaridade. O repórter Luiz Alberto Fonseca acompanhou a rotina de grupos de apoio aos dependentes e a história daqueles que acreditam ter encontrado na religiosidade o antídoto para o vício.

Para o psicólogo Laerte Leite, a orientação espiritual é indispensável para a recuperação. “Ela ajuda a pessoa a entrar em contato com seu deus interior, com a sua espiritualidade, que é a maior força do ser humano. Essa emergência do prazer desaparece porque você vai descobrir uma nova sensação de bem-estar que a droga não consegue substituir”, ressalta

Imagens registradas pelos cinegrafistas Marcos Araújo e Samuel Limeira mostram a realidade do vício na capital alagoana. Entre garrafas e cigarros, homens jovens e até crianças consomem drogas ao longo da noite. As cenas se repetem pelo dia.

A equipe do IZP acompanhou o dia a dia dos Anjos da paz. O grupo atua na capital, em contato direto com os dependentes, e faz parte de um centro de acolhimento que leva o mesmo nome. Lá, é oferecido atendimento psicológico, testes de saúde e encaminhamento para outros abrigos de acordo com cada caso. Qualquer um que aceita o tratamento representa uma pequena vitória no combate às drogas.

Além de ir às ruas de Maceió, o Página Aberta viajou até o interior do estado para conhecer o trabalho de comunidades que usam a fé como remédio determinante no combate ao vício. Entre os ouvidos pela equipe do programa estão o coletivo evangélico Shalon, localizado na zona rural de São Miguel dos Campos, e o agrupamento católico Nova Jericó, em Marechal Deodoro.

Relatos de fé

Alex de Oliveira, atual coordenador da comunidade Shalon, já esteve no papel de paciente e hoje serve de exemplo para os acolhidos. Ele conta ao repórter Luiz Alberto que chegou em 2010, viciado em álcool e crack, mas conseguiu vencer a dependência. “Eu queria uma mudança, eu queria uma transformação, e realmente aqui eu encontrei através de jesus, entregando a minha vida a ele”, afirma.

Edson Alexandre da Silva é um dos pacientes da Nova Jericó. Ele é dependente desde os nove anos, perdeu casa, chegou a morar nas ruas, e atualmente busca um recomeço. “Deus quer o melhor pra nós, não quer essa vida não. Se a pessoa não tiver fé, a pessoa não tem nada”, diz.

Segundo o repórter Luiz Alberto, o tratamento no centro de acolhimento Nova Jericó é multidisciplinar. Tarefas como jardinagem, criação de animais e fábrica de pré-moldados, aliadas à fé, são a aposta para a reabilitação.

“Quando me dá vontade de ir embora, eu faço uma oração e por incrível que pareça a vontade passa. É como se Deus colocasse a mão no meu coração”, afirma Jéssica Silva Santos. Ela luta contra o alcoolismo e está entre as 100 pessoas abrigadas pela casa de reabilitação católica Kerygma, em Craíbas, cidade a cerca de 116 km de Maceió.

Com sede em Minas Gerais, o centro existe em Alagoas desde 2008, movido por missionários. As atividades para os acolhidos incluem a manutenção de hortas, artesanato e fabricação de pães que são vendidos numa cidade vizinha. A espiritualidade é trabalhada em grupo nas palestras e na missa.

Envolvimento Familiar

O dependente químico muitas vezes acaba trazendo os familiares consigo na luta contra o vício. Segundo uma pesquisa realizada pelo Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), em 2013, ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar dependente químico. E é também na fé que esses parentes encontram suporte.

Raquel Dionísio é um desses – mãe de um jovem em tratamento, ela raspou o cabelo como um sacrifício a Deus pela recuperação do filho, que aceitou a terapia uma semana depois. Ela pede que todas as mães e familiares insistam naquele que busca a sobriedade. “Eu sempre digo que a gente pode chorar a dor do luto, mas nunca a do remorso”, ressalta.

Ascom – 06/12/2017