Economia com reforma dos militares frustra analistas e pode dificultar Previdência

O projeto demudanças nas aposentadorias dos militares foi mal recebido por investidores nesta quarta-feira, fazendo com que a Bolsa fechasse em queda de 1,55% e o dólar reduzisse sua queda — encerrou com recuo de 0,6%, a R$ 3,767, após ter caído mais de 1% antes da entrega da proposta. Frustraram analistas a economia projetada, de R$ 10,4 bilhões em dez anos. Segundo eles, esses ruídos poderiam representar um entrave à aprovação da reforma da Previdência.

Os especialistas consideraram um erro estratégico propor simultaneamente a mudança nas aposentadorias e a reestruturação da carreira dos militares. Isso ofenderia o discurso de unidade da reforma, abrindo um flanco para novas demandas surjam, observou o especialista em Previdência Pedro Nery. Sérgio Vale, da MB Associados, enxerga no movimento um simbolismo prejudicial à reforma, diz o Extra.

— Não cabia discutir aumento salarial agora. Dá a ideia de quem está no poder consegue manter seus privilégios e vai contra a ideia de justiça social — criticou.

Segundo Renato Ribeiro, sócio da Gap Asset, o ruído se amplifica diante da carreira de Bolsonaro no Exército e da forte presença de militares no governo:

— A sensação é ruim. Embora seja difícil quantificar o impacto na reforma, a percepção é que o presidente privilegiasetor do funcionalismo próximo a ele — afirmou.

Segundo o advogado Erick Magalhães, do Magalhães & Moreno, o projeto amplifica privilégios, uma vez que o déficit dos militares foi o que mais cresceu ano passado, chegando a R$ 40 bilhões. Para Fábio Klein, da Tendências, a “desidratação” deve tornar mais difíceis e lentas as discussões políticas em torno da reforma.

— Será mais difícil chegar à economia de R$ 1 trilhão. O governo precisará flexibilizar as mudanças em outras frentes — disse Klein, que mantém aposta em impacto acima de R$ 600 bilhões.

Bernd Berg, da Woodman Asset em Zurique, prevê que a Bolsa e o real sofrerão no curto prazo em reação ao projeto.

— Embora as expectativas tenham se frustrado, eu ainda espero que a reforma seja aprovada. Mas terei que monitorar de perto a tramitação para ajustar minha posição caso o risco cresça — ponderou.

21/03/2019